Pergunte a qualquer jogador da Seleção sobre o Haiti e a resposta é sempre a mesma: "time perigoso, adversário qualificado, jogo difícil..." Bonito, educado, correto, mas esse canarinho quer ouvir outra coisa. Quer ouvir um "vamos golear" dito com peito estufado, olho aceso e pena arrepiada. Quer sentir marra. Quer sentir Brasil.
Respeitar o adversário é obrigação, mas fingir que não tem obrigação de golear o Haiti é fugir da responsabilidade com discurso bonzinho. A Seleção de 70 não fingia que era igual a ninguém. A de 94 entrava convicta. A de 2002 olhava pro adversário e já sabia o resultado. Foram 24 anos sem Copa, e esse jejum comeu a nossa autoestima.
Mas para um segundo: somos pentacampeões mundiais. Cinco estrelas. Não tem seleção no mundo com essa moral. Ganhar essa Copa é mais do que título, é lembrar que a gente sabe voar, que a gente já foi o maior, e que 24 anos de jejum não apagam isso.

