As investigações da Polícia Civil que levaram à prisão de Fernando Sampaio indicaram manobras do dono da Outsider Tours para simular a validação de ingressos da final da Libertadores, no Peru. Segundo apuração, o empresário utilizou login e senha falsos para criar a aparência de que os tíquetes existiam e estavam confirmados no site da Conmebol.
A Outsider Tours tornou-se alvo de centenas de investigações e processos nas Justiças cível e criminal em todo país nos últimos anos. A empresa atua diretamente no ramo de venda de pacotes de viagens e ingressos para eventos esportivos.
O caso que resultou na prisão de Fernando envolve quatro rubro-negros do Pará que gastaram R$ 8,2 mil para assistir à final entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, no Peru. A empresa também se envolveu em polêmica nas decisões do clube nas edições da Libertadores de 2019 e 2022 — ano em que atuou como parceria do clube.
Falsificação de ingresso
De acordo com a Polícia Civil do Pará, Fernando Sampaio enviou um login e uma senha aos torcedores às vésperas da final, 28 de novembro. O acesso servia para validar os ingressos no site da Conmebol, mas os dados estavam em nome de outra pessoa e serviam apenas como simulação.
Márcio Henrique Ayres de Andrade, por exemplo, relatou que planejou uma surpresa para o filho ao contar que viajariam para a final, mas precisou mudar os planos após não receber os ingressos. Segundo ele, a expectativa da criança girava em torno da viagem, do horário do voo e do jogo.
Sobre a prisão de Fernando Sampaio, Márcio afirmou que considera a medida necessária diante da repercussão do caso e do transtorno causado. Ele disse que pretende acioná-lo na Justiça, destacando que o prejuízo não se limita ao dinheiro.
As vítimas relataram à polícia que, após o problema, Fernando passou a ignorar mensagens e ligações, sem qualquer devolução do valor pago. Sem receber os tíquetes, todos tiveram que comprar novos ingressos no dia da partida, por preços bem superiores aos inicialmente acertados.
Histórico do dono da Outsider Tours
A Delegacia de Defraudações solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras um relatório financeiro do empresário. O material foi enviado ao Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil, que agora investiga se Fernando também cometeu crime de lavagem de capitais. Ele já responde por estelionato e aparece em outros dois inquéritos.
Na decisão que determinou a prisão preventiva, o juiz destacou o risco de continuidade delitiva e citou a existência de múltiplos processos em diferentes estados. A defesa, por sua vez, afirmou que não teve acesso à investigação e informou que vai pedir a revogação da prisão.
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