O Conselho Deliberativo do Flamengo promoveu uma alteração rigorosa nas regras políticas do clube na noite desta terça-feira (3). Em reunião realizada na Gávea, os conselheiros aprovaram, por ampla maioria, uma emenda ao estatuto proposta pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap. A nova diretriz estabelece um bloqueio temporário: dirigentes, investidores ou gestores de outras agremiações terão que cumprir um período obrigatório de 12 meses de afastamento antes de assumirem qualquer cargo ou participarem dos poderes rubro-negros. O placar final apontou 409 votos a favor, 111 contra e 15 abstenções.
Desse modo, a mudança amplia drasticamente o alcance dos artigos 54 e 77 do estatuto. Anteriormente, a restrição focava apenas em sócios que ocupassem cargos de direção em clubes rivais diretos (que disputassem competições oficiais contra o Flamengo no futebol ou remo). Agora, o texto fecha o cerco contra a influência financeira externa. A proibição passa a atingir qualquer pessoa que atue, direta ou indiretamente, como acionista, cotista, consultor ou gestor de Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), sejam elas nacionais ou estrangeiras.
Fim das brechas para investidores
A emenda detalha minuciosamente as condições para evitar interpretações dúbias, equiparando a figura do investidor à do gestor. Com isso, o associado do Flamengo que realizar aportes financeiros, empréstimos, oferecer garantias ou der qualquer suporte econômico a outro clube — mesmo que de forma gratuita ou eventual — ficará impedido de atuar na política da Gávea. O objetivo central é eliminar conflitos de interesse, garantindo que tomadores de decisão no Flamengo não tenham vínculos comprometedores com outras instituições esportivas.
Por fim, para recuperar a elegibilidade e os direitos políticos plenos, o associado precisará comprovar o desligamento total da outra entidade. A regra estipula que o prazo de 12 meses só começa a contar a partir da data oficial da saída ou do fim do vínculo econômico. Na prática, essa “trava” de um ano serve como um mecanismo de governança para proteger o clube em um cenário onde a multipropriedade e as SAFs ganham cada vez mais espaço no futebol brasileiro. A aprovação reflete o desejo da gestão Bap de modernizar o estatuto e blindar o Flamengo de interesses cruzados.
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