MP pede retomada de ação por injúria racial contra segurança do Palmeiras

MP pede retomada de ação por injúria racial contra segurança do Palmeiras
MP pede retomada de ação por injúria racial contra segurança do Palmeiras -

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e o Ministério Público Federal (MPF) acionaram o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para solicitar a reabertura da ação penal contra o vice-prefeito de São José do Rio Preto, Fábio Marcondes (PL). O político está sendo acusado de ter proferido ofensa racial contra um segurança do Palmeiras após uma partida do Campeonato Paulista, em fevereiro de 2025.

O episódio ocorreu depois da vitória do Verdão sobre o Mirassol. Marcondes chegou a se tornar réu em agosto do ano passado, mas obteve uma liminar em habeas corpus que suspendeu o andamento do processo. A defesa alegou que a denúncia do Ministério Público se baseou em um relatório técnico produzido com auxílio de ferramentas de inteligência artificial, sem a participação direta de um perito oficial.

No novo pedido encaminhado ao STJ, o MP rebate essa tese. O documento, assinado pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirma que os recursos de inteligência artificial acabaram sendo utilizados apenas como apoio à análise humana, não configurando prova ilícita. Os promotores também anexaram vídeos do episódio e sustentam que é possível ouvir de forma clara a expressão “macaco velho”, em contraposição ao primeiro laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo, que apontava o uso da palavra “paca”.

O caso entre vice-prefeito e segurança do Palmeiras

A confusão teve início após o encerramento da partida válida pela última rodada da fase de grupos do Paulistão 2025. Segundo os autos, Fábio Marcondes se desentendeu com um segurança do Palmeiras após o profissional solicitar que o filho do político deixasse uma área restrita, entre o vestiário e o ônibus do clube, no estádio do Mirassol.

Durante a discussão, testemunhas relatam que Marcondes proferiu ofensas verbais. Em meio ao tumulto, um dos seguranças foi ouvido gritando “racismo não”. Houve troca de empurrões, e a Polícia Militar precisou intervir para conter os ânimos.

O Palmeiras registrou boletim de ocorrência, e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil. Ao longo das apurações, diferentes laudos técnicos foram apresentados, incluindo um contratado pelo próprio clube, até que o Ministério Público formalizasse a denúncia. Além da responsabilização criminal, o MP também pede a perda do cargo de vice-prefeito.

Durante o período de investigação, Marcondes se licenciou do cargo por três vezes. Além disso, pediu exoneração da função de secretário de Obras. Cerca de 20 dias depois, reassumiu o posto de vice-prefeito.

Aliás, a denúncia foi inicialmente aceita pela juíza Patrícia da Conceição Santos, da comarca de Mirassol. Contudo, antes de conseguir a liminar que suspendeu a ação, Marcondes teve ao menos um pedido de habeas corpus negado. Agora, o Ministério Público tenta reverter a decisão no STJ para que o processo volte a tramitar.

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