Texto de nova “Lei Vini Jr” visa tornar racismo contra brasileiros crime de extraterritorialidade

Texto de nova “Lei Vini Jr” visa tornar racismo contra brasileiros crime de extraterritorialidade
Texto de nova “Lei Vini Jr” visa tornar racismo contra brasileiros crime de extraterritorialidade -

A discussão sobre racismo no futebol voltou ao Congresso Nacional com uma proposta que visa ampliar o alcance da legislação brasileira. Isso porque a nova “Lei Vini Jr” quer permitir que a Justiça condene estrangeiros por racismo contra brasileiros mesmo que eles nunca tenham pisado no país — a fim de enquadrá-lo como caso de extraterritorialidade incondicionada, equiparando-o a crimes contra a vida do presidente.

O projeto de autoria do deputado Marangoni (UNIÃO-SP) foi divulgado inicialmente pelo perfil ‘Eixo Político’ nas redes sociais. A proposta parte de um entendimento claro: quando o alvo é um brasileiro, o Estado deve ter instrumentos para agir independentemente do local onde o ato ocorreu.

O movimento legislativo ganhou tração após o caso mais recente envolvendo Vinícius Júnior. Na terça-feira (17), o atacante do Real Madrid acusou o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, de racismo durante jogo da Champions. O episódio repercutiu mundialmente, e a UEFA suspendeu o atleta até que novos detalhes sejam divulgados.

A partir do caso, parlamentares reforçaram a avaliação de que a legislação precisa avançar quando a ofensa ocorre fora do Brasil, mas atinge um cidadão brasileiro.

Programa Vini Jr. em tramitação

Em paralelo à nova proposta, deputados da Federação PSOL-REDE protocolaram requerimento de urgência um projeto que estava parado desde agosto de 2025. Trata-se do PL 3.089 de 2023, que cria o “Programa Vini Jr. de Combate ao Racismo” em estádios e arenas esportivas.

Segundo apuração do UOL, o requerimento reúne 400 assinaturas. Se o plenário aprovar o pedido, o texto seguirá diretamente para votação.

Assinaram o documento Chico Alencar (PSOL-RJ), Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP), Luiza Erundina (PSOL-SP), Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), Túlio Gadêlha (REDE-PE), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Célia Xakriabá (PSOL-MG), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Glauber Braga (PSOL-RJ), Guilherme Boulos (PSOL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Tarcísio Motta (PSOL-RJ) e Erika Hilton (PSOL-SP).

O que prevê o programa

O texto torna obrigatória a realização de campanhas educativas contra o racismo antes e durante eventos esportivos. A proposta também prevê capacitação de atletas, árbitros, técnicos e funcionários para identificar e lidar com situações de discriminação.

Há ainda um Protocolo de Combate ao Racismo, que determina a interrupção imediata da partida diante de denúncia ou manifestação reconhecida de conduta racista. Essa paralisação, inclusive, ocorreu durante o jogo entre Benfica e Real Madrid no Estádio da Luz.

Em caso de ação coletiva ou reincidência, o protocolo autoriza o encerramento definitivo do jogo e a comunicação às autoridades presentes, ao Juizado do Torcedor e aos demais órgãos competentes.

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