O São Paulo montou um plano específico para recolocar Alisson no time ao longo da temporada. Após a negociação frustrada com o Corinthians, o volante perdeu espaço momentaneamente, mas voltou a ser visto como peça útil por Hernán Crespo. Ainda assim, a comissão técnica trata o retorno com cautela por causa da reação negativa de parte da torcida.
A ideia inicial é usar o jogador primeiro em partidas fora do Morumbis, reduzindo o risco de um ambiente hostil. O planejamento ganhou força depois que Alisson ficou fora da vitória sobre o Coritiba, no Couto Pereira, em razão de uma virose. O próximo compromisso como visitante está marcado para o dia 15 de março, contra o RB Bragantino, em Bragança Paulista, pelo Campeonato Brasileiro, data vista internamente como um cenário mais favorável para a reestreia.
No começo do ano, São Paulo e Corinthians chegaram a alinhar um empréstimo. O volante, inclusive, visitou o CT do rival. O acordo, porém, não avançou depois que o clube alvinegro recusou os valores estipulados. O Tricolor havia fixado em um milhão de reais a quantia para liberar o atleta.
O que pensa o São Paulo
Desde então, Alisson segue treinando normalmente no CT da Barra Funda, mas deixou de aparecer nas listas de relacionados. Diante dos protestos da torcida, que chegou a estender faixas no Morumbis, a diretoria chegou a avaliar uma negociação em definitivo. A possibilidade serviria também para aliviar a folha salarial, já que o jogador custa cerca de sete milhões de reais por ano. Com o passar das semanas, no entanto, o clube recuou dessa ideia.
“Houve sondagens de outros clubes, chegou um momento em que imaginávamos que era melhor ele jogar em outro lugar, mas essas negociações não são tão simples assim, porque o São Paulo só vai negociar o Alisson dentro dos seus parâmetros”, afirmou Rui Costa, executivo de futebol, em entrevista ao ”Uol”.
Crespo já passou pela mesma situação
Do ponto de vista técnico, Crespo também precisou de tempo para se convencer. Inicialmente, havia dúvidas sobre o foco do atleta após toda a repercussão da negociação. A resposta veio no dia a dia com boa postura nos treinamentos e conversas frequentes com o treinador, que recolocaram o volante no radar. O argentino, aliás, participa diretamente do processo de reintegração.
O técnico costuma citar a própria carreira como exemplo. Nos anos dois mil, defendeu Inter de Milão e Milan, voltou à Inter mais tarde e conviveu com a desconfiança inicial das torcidas. Para ele, o caminho é claro.
”Eu sou querido nos dois lados porque joguei bem nos dois lados. Se ele, neste momento, esquece o que aconteceu, faz parte da vida, porque todos cometemos erros, não falo só dele, é sobre todos os envolvidos, porque não aconteceu”, explicou Crespo.
Mesmo com o plano em andamento, Alisson não deve ser relacionado no próximo compromisso. No domingo (01/3), o São Paulo encara o Palmeiras, pela semifinal do Campeonato Paulista. O retorno do volante, ao que tudo indica, ainda vai exigir paciência e estratégia.
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