As principais organizadas do Botafogo divulgaram uma nota conjunta em que manifestam repúdio à condução da SAF e direcionam cobranças ao empresário John Textor. O posicionamento reúne críticas à situação financeira do clube e exige presença mais efetiva do dirigente, além da apresentação de um plano concreto para a gestão.
A publicação da nota se insere em um extracampo bastante conturbado no clube. Na segunda-feira (30), o Conselho Deliberativo se reuniu em General Severiano para a aprovação das contas e quase todos presentes demonstraram preferência pela saída do norte-americano do comando da SAF. Fontes ligadas à ESPN afirmam que parte majoritária opinou.
Esse cenário ajuda a entender o tom adotado pelas organizadas, que estruturam o comunicado a partir de cobranças diretas e da avaliação de que o momento exige respostas objetivas.
Textor delimita estrutura da SAF
O norte-americano, em resposta, afirmou que o Botafogo possui participação de 10% e não tem capacidade para promover mudanças estruturais mais profundas. “Isto não é o Vasco. Não há quebra de acordo. O dinheiro entra e sai o tempo todo, no curso normal da gestão. Nossa empresa tem o direito de tomar decisões de gestão de caixa que funcionaram bem o suficiente para nos levar a conquistar dois campeonatos”, disse em entrevista à ESPN.
Presença e condução viram cobranças
No documento, as torcidas destacam a situação financeira como ponto central e vinculam essa condição à necessidade de maior atuação do dirigente. O texto também abre espaço específico para questionar a postura do empresário.
As organizadas afirmam que o proprietário “não se faz presente” e “não dialoga com a torcida”, além de agir como se o Botafogo fosse “um problema secundário” em sua agenda.
Trechos da nota
“As torcidas organizadas do Botafogo de Futebol e Regatas manifestam seu repúdio público, veemente e irrestrito à condução da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do clube, sob o comando de John Textor.
[…] O cenário atual é inadmissível. Há atletas com salários em atraso, obrigações fiscais não cumpridas, ausência de comando técnico, falta de um projeto esportivo consistente e nenhuma perspectiva imediata de estabilidade. Enquanto isso, a holding controladora, a Eagle Football Holdings, acumula dívidas bilionárias e enfrenta processo de administração judicial no Reino Unido.
Não se trata de uma crise pontual. Trata-se de um padrão de gestão que já comprometeu outros clubes sob o mesmo comando e que, agora, se repete no Botafogo. A torcida que lotou o Estádio Nilton Santos, que acreditou e que investiu seu apoio neste projeto, não pode ser a única a arcar com as consequências”.
Trecho direcionado ao norte-americano
“Você desaparece. Não se faz presente. Não dialoga com a torcida. Não presta esclarecimentos. Enquanto o clube sangra semana após semana, você se mantém distante e em silêncio, como se o Botafogo fosse um problema secundário em sua agenda. isso não é gestão. Isso é omissão.
Exigimos sua presença imediata. Exigimos um pronunciamento público, claro e objetivo sobre o futuro do clube. Exigimos um plano concreto: pagamento dos salários atrasados, regularização fiscal, contratação urgente de uma comissão técnica e definição de um projeto esportivo minimamente estruturado para a temporada. Não queremos promessas. Queremos ação e queremos agora.”
Organizadas indicam limites de mobilização
“[…] É necessário responsabilidade. Vivemos sob um novo marco legal. O modelo SAF impõe restrições que não existiam anteriormente, e qualquer ação que envolva invasões, confrontos ou perturbação da ordem pode resultar em punições severas, inclusive prisões, além de prejudicar diretamente o clube que juramos defender.
Não abrimos mão de nenhum dos nossos. Se houvesse a certeza de que uma ação mais contundente, ainda que custosa, garantiria o futuro do Botafogo, não hesitaríamos, nunca hesitamos. Mas, neste momento, nossa força está na mobilização consciente, na pressão organizada e na união”.
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