Campeã africana em 2019, a Argélia retorna à Copa do Mundo após 12 anos com uma geração que vem buscando se firmar. O ciclo começou com fracassos dentro das competições continentais, troca no comando técnico e o fim da era com alguns jogadores que disputaram o Mundial em 2014.
Apesar da eliminação traumática para a Copa de 2022, com um gol sofrido na reta final da prorrogação, a seleção manteve a base e o comando técnico. Entretanto, o resultado acabou sendo trágico, com a segunda eliminação seguida na fase de grupos da Copa Africana de Nações (Can). Com isso, Djamel Belmadi deixou o comando da equipe. A campanha frustrante também marcou o final de ciclo para alguns dos jogadores mais importantes da história do país, como Feghouli e Slimani.
Com a chegada de Vladimir Petkovic, os novos jogadores, que pediam passagem, começaram a ganhar mais oportunidades. Apesar de alguns tropeços, a Argélia conseguiu se manter firme na liderança do seu grupo e superou Uganda, Moçambique, Guiné, Botsuana e Somália para conquistar vaga na Copa do Mundo. Além disso, nas Eliminatórias da Can de 2025, as Raposas se classificaram de forma invicta, com cinco vitórias e um empate.
Na competição continental, disputada no começo do ano, os argelinos conseguiram deixar os fantasmas para trás. Os Verdes fecharam a fase de grupos com 100% de aproveitamento, eliminaram a RD Congo nas oitavas, mas acabaram caindo para a Nigéria nas quartas de final. Recentemente, na Data Fifa de março, a Argélia conseguiu bons resultados nos seus últimos testes, com um 7 a 0 para cima da Guatemala e um empate sem gols contra o Uruguai. A seleção ocupa a 28ª posição no ranking da Fifa, sendo a quarta melhor africana na classificação.
O destaque
Apesar da safra de novos jogadores que vem ganhando espaço, como Amouha, Gouiri e Ait-Nouri, a seleção ainda tem como grande nome Riyad Mahrez. O meia de 35 anos atuou por cinco anos no Manchester City e atualmente defende o Al Ahli, da Arábia Saudita. Além de referência dentro de campo, o jogador é o capitão da equipe.
Agora, Mahrez vai para a segunda Copa do Mundo de sua carreira. Afinal, com 23 anos, o jogador esteve presente no Brasil, mesmo com o pouco tempo de experiência na seleção na época. Pelas Raposas, o jogador já atuou em 113 partidas e marcou 38 gols.
O comandante
Responsável pela renovação da equipe após quatro fracassos seguidos em Eliminatórias e na CAN, o suíço Vladimir Petkovic chegou à Argélia com muita experiência na bagagem. Com isso, conseguiu transmitir calma aos jogadores, que superaram os momentos de dificuldade, e garantiu uma classificação que causou grande festa no país.
Essa será a terceira Copa do treinador em sua carreira. Depois de comandar a Suíça nos Mundiais de 2014 e 2018. Petkovic deixou o comando da seleção europeia e assumiu o comando do Bordeaux. Sem sucesso no clube francês após 25 anos, o técnico aceitou o convite argelino em fevereiro de 2024. Até aqui, são 39 jogos à frente dos Verdes, com 27 vitórias, nove empates e três derrotas.
Campanha em Copas
Essa será apenas a quinta participação argelina em Mundiais. Na estreia, em 1982, uma vitória histórica contra a Alemanha Ocidental, por 2 a 1. Na sequência, derrota para a Áustria e um triunfo de 3 a 2 contra o Chile. Porém, a classificação não veio, já que alemães e austríacos fizeram o “Jogo da vergonha”, conseguindo o resultado que classificava ambos. A Argélia retornou à Copa em 1986, ficando no grupo do Brasil, e não avançou novamente. Derrota para a nossa Seleção por 1 a 0 e para a Espanha por 3 a 0 e apenas um empate contra a Irlanda do Norte.
24 anos depois, a seleção retornou ao torneio. Porém, a campanha foi igual a anterior, com duas derrotas e um empate, contra Eslovênia, Estados Unidos e Inglaterra, respectivamente. Entretanto, o retrospecto mudou em 2014. Depois de perder para a Bélgica, os argelinos venceram a Coreia do Sul em Porto Alegre. Na partida decisiva, contra a Rússia, em Curitiba, os adversários saíram na frente, mas Slimani aproveitou falha do goleiro e marcou, para garantir a classificação histórica.
Nas oitavas de final, veio um recontro contra os alemães, novamente na capital gaúcha. Com chances desperdiçadas e uma atuação memorável do goleiro M’Bolhi, os argelinos levaram a decisão para a prorrogação. Porém, não conseguiram segurar os futuros campeões do mundo e perderam por 2 a 1.
Time-base
Luka Zidane; Belghali, Mandi, Bensebaini e Ait-Nouri; Boudaoui, Zerrouki, Mahrez e Chaibi. Amouha e Gouiri.
O país
A Argélia é o maior país do continente africano, com uma área de 2.381.741 km² no norte da África. Entretanto, mais de 80% do seu território é coberto pelo deserto do Saara. O país tem 40.400.000 habitantes, sua capital é Argel e a economia tem a exportação de petróleo e gás natural como principais atividades. Abdelmadjid Tebboune é o atual presidente argelino.
Celebridades
No mundo dos esportes, a Argélia foi o berço de um dos maiores craques do futebol francês. Zinedine Zidane nasceu em Marseille, filho de pais argelinos, que sempre mantiveram uma estreita ligação com o seu país de origem. Inclusive, seu filho Luca Zidane, optou por defender a seleção dos seus avós e atualmente é o goleiro titular da equipe.
Já no campo cultural, a Argélia possui um dos principais nomes da música árabe. Cheb Khaled é considerado o “Rei do Rai”, gênero musical muito conhecido no norte africano. Além disso, o cantor já misturou a música argelina com outros estilos, como reggae, soul e rock, chegando a diversos locais do mundo. Inclusive, nos anos 90, Khaled gravou uma faixa junto com a banda irlandesa U2.
O que esperar da Argélia
Com uma seleção renovada, a expectativa é que as Raposas apresente um futebol mais solto na América do Norte. A dupla se tornou uma atração da equipe e pode fazer a diferença nos duelos contra Argentina, Áustria e Jordânia. A atenção maior está para o sistema defensivo, que acabou sendo vazado em seis das dez partidas das Eliminatórias, contra seleções inferiores ao seu nível técnico.
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