O comando da SAF do Botafogo sofreu uma reviravolta histórica na noite desta quinta-feira (23). Por determinação do Tribunal Arbitral da FGV, o empresário estadunidense John Textor foi afastado de forma automática e imediata da administração do Glorioso. A decisão, de caráter temporário, será reavaliada na próxima quarta-feira (29), mas já provoca um abalo sísmico na gestão do clube. Segundo o documento acessado pelo portal “ge”, o tribunal vê riscos nas medidas de Textor. O órgão entende que elas podem causar “danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de torcedores do Botafogo”.
A queda temporária de John Textor ocorre em um momento crítico. O afastamento acontece logo após o início da recuperação judicial solicitada pela SAF Botafogo na última terça-feira (21). Para o Tribunal Arbitral, presidido por Adriana Braghetta, o ajuizamento desta medida ocorreu sem deliberação em assembleia. Tal ato configura uma violação frontal das regras de governança e desobedece ordens expressas emitidas anteriormente pelo próprio tribunal.
Manobras financeiras e Ilhas Cayman
O afastamento de Textor não se resume apenas à questão da recuperação judicial. A decisão arbitral aponta um histórico de atos controversos, incluindo a celebração de um acordo de compra e venda (SPA) que visava transferir a SAF do Botafogo para uma empresa sediada nas Ilhas Cayman. O fato que mais chamou a atenção dos árbitros foi que, em 26 de janeiro deste ano, Textor assinou o contrato pelas três partes envolvidas na transação: a SAF, a Eagle Bidco (subsidiária inglesa sob administração judicial) e a Eagle Football Group (nas Ilhas Cayman).
Para os coárbitros Alina Terra e Lauro Júnior, John Textor agiu ciente das discussões sobre sua atuação. Esse acúmulo de funções e a falta de transparência internacional foram determinantes. Assim, o Tribunal Arbitral considerou a gestão do norte-americano como um risco à estabilidade da SAF.
Assembleia cancelada e futuro incerto no Botafogo
Como consequência imediata do afastamento, a Assembleia Geral Extraordinária da SAF, que estava marcada para a próxima segunda-feira (27) em segunda convocação, foi cancelada. O cenário deixa o Botafogo em um limbo administrativo até o julgamento do dia 29 de abril, quando Textor poderá apresentar sua manifestação e o Tribunal decidirá se mantém ou revoga o afastamento.
Enquanto a batalha jurídica se desenrola, o clima nos bastidores do Botafogo é de apreensão, especialmente com o mercado de transferências ainda pulsante — o zagueiro Barboza, por exemplo, é alvo de avanços do Palmeiras. A intervenção da FGV marca o capítulo mais dramático desde que o Alvinegro se tornou SAF, colocando em xeque o modelo de gestão unificado da Eagle Football e o futuro dos investimentos prometidos pelo empresário americano no futebol brasileiro.
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