O atacante Estêvão sofreu uma lesão muscular grave de grau quatro no músculo posterior da coxa direita, com indícios de ruptura completa, quadro que pode deixá-lo de fora da Copa do Mundo. A confirmação da gravidade ocorreu após novos exames realizados pelo Chelsea, que apontaram uma ruptura muscular.
A lesão aconteceu durante a partida entre Chelsea e Manchester United, no último fim de semana, pela Premier League. Aos 16 minutos de jogo, Estêvão sentiu dores na coxa e precisou deixar o campo. Esta é a terceira contusão do brasileiro desde que chegou à Europa, em julho de 2025. No mês de dezembro, ele apresentou uma lesão muscular que o afastou por uma semana. Já em fevereiro, teve problemas na coxa, deixando-o fora dos amistosos contra França e Croácia, na última data Fifa, pela Seleção Brasileira.
De acordo com Guilherme Ludtke, fisioterapeuta esportivo especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), a classificação de uma lesão como grau quatro representa o cenário mais grave dentro das lesões musculares.
“Hoje, na fisioterapia esportiva, a gente utiliza classificações mais modernas, como o Munich Consensus Statement, que organiza as lesões musculares de forma mais detalhada, dividindo entre lesões funcionais e estruturais. Dentro dessa classificação, as lesões estruturais vão até o grau 3, sendo o grau 3 uma ruptura mais extensa. Então, grau 4 costuma ser utilizado para descrever uma ruptura completa do músculo, muitas vezes com retração das fibras e possível envolvimento do tendão. Quando alguém fala em grau 4, está se referindo ao cenário mais grave possível dentro das lesões musculares”, explicou.
Estêvão não tem prazo para voltar a jogar
O especialista detalha que, nesses casos, o tempo de recuperação tende a ser alto e não depende de um prazo fixo. Segundo ele, a volta do atleta ao esporte está diretamente ligada à extensão da lesão, à função do músculo afetado e à resposta individual do jogador ao tratamento.
“Quando falamos de uma lesão descrita como ‘grau 4’, na prática indica uma ruptura completa. Nesses casos, o tempo de retorno é significativamente maior, geralmente na faixa de 4 a 6 meses, especialmente se houver necessidade de cirurgia. Mas o ponto mais importante, dentro do conceito atual, é que o retorno ao esporte não é definido apenas pelo tempo. Ele depende de critérios objetivos, como recuperação da força, controle neuromuscular e capacidade de realizar as demandas específicas do esporte sem risco aumentado de nova lesão”, afirmou.
Ludtke também explica que o processo de reabilitação segue etapas bem definidas, respeitando a cicatrização do tecido e a progressão de carga ao longo do tratamento.
“Na reabilitação, a gente segue dois princípios principais: proteger o tecido no início e progredir a carga de forma controlada, respeitando o processo de cicatrização. Começa com uma fase mais aguda, focada em controle de dor e proteção. Depois evoluímos para ganho de mobilidade e ativação leve. Em seguida, entramos no fortalecimento progressivo, com bastante foco em carga e trabalho excêntrico. Na fase final, a gente leva o atleta para movimentos específicos do esporte, como corrida, mudança de direção e aceleração”, pontuou.
Atacante ainda sonha em disputar a Copa do Mundo
Apesar do tempo de recuperação dificultar a ida para a Copa, Estêvão está realizando tratamentos que podem acelerar esse processo e dar esperança para o jovem disputar o torneio. Aliás, o jogador não pretende passar por cirurgia neste momento e quer realizar um tratamento conservador no Brasil, o que talvez possa colocá-lo à disposição de Carlo Ancelotti.
“O retorno antes da Copa depende de fatores como extensão real da lesão, necessidade de cirurgia e resposta individual ao tratamento. Sendo uma lesão grave como uma ruptura completa, a probabilidade de retorno em alto nível em curto prazo é reduzida, embora não seja impossível. Existe a possibilidade de otimizar a recuperação com fisioterapia intensiva, controle rigoroso de carga e suporte multidisciplinar, como é feito no alto rendimento. Porém, não existe atalho biológico. Acelerar o processo além do que o tecido suporta aumenta significativamente os riscos, como recidiva da lesão, déficit de força, compensações biomecânicas e até novas lesões. No esporte de alto nível, o principal não é voltar rápido: é voltar com segurança e desempenho”, explicou.
Agora, Estêvão corre contra o tempo para disputar a Copa do Mundo. Aliás, o jogador já era presença confirmada na lista de Carlo Ancelotti para o Mundial e estava cotado para ser um dos titulares do Brasil. Pela Seleção, o atacante soma 11 jogos e cinco gols marcados, sendo o artilheiro da era Ancelotti.
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