O volante Saúl Ñíguez, do Flamengo, deu uma forte entrevista, divulgada nesta quarta-feira (6/5) pelo “ABC”, jornal de Sevilha. O espanhol revelou não estar bem fisicamente após voltar de quatro meses de recuperação de uma cirurgia, e descreveu uma espécie de “rusga” com Filipe Luís, ex-técnico do Fla e ex-companheiro de Atlético de Madrid (ESP), clube que defendeu entre 2011 e 2024.
Ele começou falando sobre sua situação física. Afinal, ficou fora por bastante tempo após passar por intervenção cirúrgica no calcanhar esquerdo, no começo de janeiro, visando corrigir problemas crônicos na região. Sincero, admitiu ainda estar longe de uma condição ideal.
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“Não estou habituado e tem sido difícil, tanto mental quanto fisicamente. Entrei em campo e, no primeiro toque na bola, dei uma assistência. Mas três dias depois, entrei no intervalo e o nosso campo está em péssimas condições, muito duro; é horrível para o meu tendão. Passei por momentos muito difíceis depois da partida. Há dias em que não consigo treinar; quando jogo num campo duro, a dor me mata. Depois joguei em campos sintéticos, que também não são bons. Estou com dificuldades porque não me sinto nas melhores condições para ajudar a equipe; estou longe de um nível aceitável para mim”, revelou o espanhol, que já tem cinco partidas desde o retorno aos gramados.
Rusga com ex-técnico do Flamengo?
Saúl afirmou pressentir que a relação com Filipe Luís o preocuparia. Ele, então, revelou que, quando negociava com o Flamengo, chegou a receber uma mensagem do treinador, mas sua réplica não obteve resposta. Ainda assim, ele afirmou recusar propostas financeiramente melhores para se aventurar no Fla.
“Essa relação era algo que me preocupava muito. Não vim porque o Filipe (Luís) me disse que me queria, apesar de sermos amigos. Quando saiu que estava negociando com o Flamengo, tudo o que o Filipe fez foi me mandar uma foto do centro de treinamento. Eu respondi, e ele nunca mais me respondeu… E eu pensei: “As pessoas acham que eu vim para cá por causa do Filipe, e ele nem fala comigo ou me escreve”. Mas era muito importante para mim que nos conhecêssemos, que ele soubesse que tipo de pessoa eu sou, que minha esposa conhecesse a esposa dele e se adaptasse um pouco melhor. Isso pesou muito na minha decisão. Financeiramente, eu tinha propostas muito melhores, mas decidi em parte por causa do Filipe.
“Me achava o Maradona”, diz Saúl
Por fim, Saúl também falou sobre saúde mental. O espanhol afirmou que se sentia como o “Maradona” no campo, mas que perdeu o “toque de mágica” para o futebol logo aos 25 anos.
“No fim das contas, foi um problema mental; você para de curtir, e perde aquele toque de mágica. Você não tem mais o que te diferencia dos outros, aquele entusiasmo, aquela paixão. Até os 25 anos, eu me achava o Maradona, e aí não sei o que aconteceu na minha cabeça, mas comecei a ter problemas, parei de curtir, e meu destino mudou. Eu também não estava curtindo porque você joga numa posição, depois joga em outra. O técnico da seleção me ligou e disse: “Se você for jogar nessa posição, não vou te convocar”. Você começa a ver as coisas, e eu não tinha a força mental para mudar minha mentalidade e voltar ao meu nível”, lamentou o experiente jogador.
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