A preparação do Irã para a Copa do Mundo de 2026 sofreu um impacto devastador nos bastidores. O atacante Sardar Azmoun, uma das principais estrelas do futebol asiático, utilizou suas redes sociais para publicar um longo e emocionante desabafo. Recentemente, o atleta acabou sendo afastado por tempo indeterminado da seleção nacional após um ato considerado como “deslealdade” pelas autoridades governamentais de seu país natal.
O estopim para a crise foi uma foto publicada por Azmoun no Instagram. No registro, o atacante aparece ao lado do governante de Dubai. Como o jogador defende o Shabab Al-Ahli, a imagem gerou revolta imediata em Teerã. Os países vivem um momento de extrema tensão militar.
O atleta soma passagens vitoriosas por clubes como Roma e Bayer Leverkusen. Mesmo assim, a mídia estatal criticou o jogador, que acabou cortado do Mundial.
“Sou um filho do Irã e gostaria de jogar pelo povo do meu país”
“Gostaria de dizer algumas palavras do fundo do meu coração sobre assuntos que muitas pessoas talvez desconheçam ou sobre os quais me julgaram precipitadamente devido a alguns mal-entendidos. Lembro-me de anos atrás, aos 17 anos, antes de ser convocado para a seleção iraniana pelo Sr. Queiroz, recebi muitas propostas financeiras de outros países, mas minha única resposta era que eu era um filho do Irã e que gostaria de jogar pelo povo do meu país e fazê-lo feliz.
Quando vesti a camisa da seleção nacional do meu país, prometi a mim mesmo que, a cada jogo pelo Irã, faria o possível para alegrar as pessoas que acompanham o futebol com amor, especialmente as crianças que se alegram com nossas vicórias nas cidades e vilarejos mais distantes.
Sempre joguei com orgulho pela seleção do meu país. Quando ganhávamos, eu me orgulhava de mim e dos meus companheiros de equipe, e quando perdíamos, eu era a pessoa mais triste do mundo, como todos eles. Adoro futebol e adoro as pessoas boas e dignas do meu país, o Irã, que sempre me deram energia com seu amor e apoio incondicionais.
Talvez muitas pessoas saibam que as pequenas coisas que pude fazer, desde reservar todos os hotéis em Gonbad para a segurança do nosso querido povo durante a guerra de 12 dias até fornecer água potável para as aldeias remotas de Golestan e também apoiar o voleibol feminino, o basquetebol e o ciclismo, são apenas uma parte do meu amor pelo Irã e pelos iranianos, e até hoje não poupo esforços para apoiar meus compatriotas.
Onde quer que eu jogue futebol, minha identidade, meu coração e meu orgulho são o Irã. Sou jogador de futebol e amo futebol, e tudo o que conquistei na vida é, em primeiro lugar, a graça de Deus, depois o trabalho árduo, o esforço e o apoio e amor do meu querido povo, e por esse amor serei eternamente grato ao povo do meu país.
Desejo tudo de bom à minha seleção nacional, aos jogadores, à comissão técnica e, em especial, ao Amir Khan na Copa do Mundo. Eu tenho sucesso e orgulho. Com a graça de Deus, camaradas, partam e façam os corações do povo iraniano felizes.”
Histórico de ativismo e números na seleção
A saber, esta não é a primeira oportunidade em que o jogador entra em rota de colisão com as lideranças políticas iranianas. Antes do Mundial de 2022, ele já havia manifestado apoio público aos protestos populares pelos direitos das mulheres em seu território nativo. Por causa de sua postura firme fora das quatro linhas, sua convocação já vinha sendo questionada por alas mais conservadoras da federação local de futebol.
Sem dúvida, dentro de campo, a ausência de Azmoun representa um prejuízo técnico incomensurável para a comissão técnica. O atacante soma impressionantes 57 gols marcados com a camisa de seu país ao longo da carreira. Ele figurava como o maior artilheiro em atividade do Irã até o início deste ano, posto que passou a ser do companheiro Mehdi Taremi. Por fim, o elenco iraniano tenta blindar o vestiário antes da estreia oficial na Copa do Mundo na América do Norte e Central.
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