Jardim cita exigência e falta de projetos longos no Flamengo: “Vive de vitórias”

Jardim cita exigência e falta de projetos longos no Flamengo: “Vive de vitórias”
Jardim cita exigência e falta de projetos longos no Flamengo: “Vive de vitórias” -

Para quem acompanha o futebol brasileiro de perto, chama atenção o contraste vivido por Flamengo e Palmeiras nos últimos anos quando o assunto é estabilidade no comando técnico. Desde a chegada de Jorge Jesus ao time carioca, em 2019, os dois clubes seguiram caminhos completamente diferentes, com trocas do lado rubro-negro e a regularidade de Abel Ferreira, desde 2020 à frente do Alviverde.

Em entrevista concedida ao jornal português “A Bola”, o atual comandante do time carioca avaliou o cenário do futebol brasileiro. Além disso, o profissional entende que o Flamengo é um clube que vive de vitórias, algo que dificulta projetos a longo prazo e de maneira imediata.

“É um clube intenso, que toda a gente sabe sua dimensão em termos de Brasil, sul-americano e mundial. Clube que vive de vitórias, por isso não existem projetos a longo prazo, os projetos são imediatos. Isso que tentamos desde o início, mostrar rapidamente nosso trabalho e competência. De forma a jogar todos os jogos para vencer e também um futebol agradável para os torcedores do Flamengo, que são exigentes e gostam de uma equipe dominante e enérgica. Tentamos planejar um conteúdo que permite dar essa satisfação aos torcedores. E os resultados, que são fundamentais”, disse.

Foco no ataque

Até o momento, Jardim soma 13 vitórias, cinco empates e três derrotas em 21 partidas à frente da equipe, com aproveitamento de 69,8%. Durante a entrevista, o português também comentou sua filosofia de jogo. Em sua visão, ele prefere equipes que assumam riscos para criar oportunidades ofensivas, mesmo que isso exponha o sistema defensivo.

“Eu muitas vezes exponho (o time) para criar mais, sofro alguns ataques dos adversários, mas faz parte do futebol. Sou muito contra equipes todas atrás da linha da bola, que não atacam, estão à procura de uma bola parada para resolver o jogo. Minhas equipes nunca jogaram assim, mesmo aquelas quando comecei minha carreira. Camacha era para jogar na frente; o Chaves para subir de divisão; o Beira-Mar para subir de divisão; o Braga para jogar por pódio…”, elucidou.

Por fim, questionado sobre a possibilidade de voltar a trabalhar em Portugal no futuro, Leonardo Jardim afirmou que isso só aconteceria sob uma condição específica, sem esconder a importância que dá à existência de um projeto esportivo sólido e bem estruturado.

“Não vou voltar a Portugal para ser treinador de uma equipe. Única abertura de voltar a Portugal é para ser treinador da seleção, se houver um dia essa possibilidade. Mas não faço disso um fardo nas costas”, concluiu.


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