Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1978

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1978
Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1978 -

Quatro anos depois de ficar para trás dos europeus, o Brasil disputou a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, que vivia o auge de sua ditadura, com a expectativa de voltar a ser campeão. Afinal, o torneio ao lado de casa era uma motivação a mais para os jogadores conquistarem o tetra, além da rivalidade com os argentinos. Porém, a campanha brasileira ficou marcada por polêmicas.

Conforme a expectativa antes da Copa de 74, Osvaldo Brandão assumiu o cargo na vaga de Zagallo. Em 75, a Seleção disputou a Copa América, com um combinado de jogadores mineiros. O Brasil chegou até as semifinais, quando caiu para o Peru, com derrota de 3 a 1 em Lima e 2 a 0 em Belo Horizonte, sendo eliminado no sorteio, já que não havia critérios definidos. Depois disso, com força máxima, a Seleção venceu a Taça do Atlântico e o Torneio Bicentenário dos Estados Unidos.

Nas Eliminatórias, estreia sem gols contra a Colômbia, fora de casa. O resultado fez com que Brandão deixasse o cargo. Em seu lugar, assumiu Cláudio Coutinho, que trabalhava na comissão técnica de Zagallo. Na estreia do novo treinador, goleada de 6 a 0 contra os Cafeteros. Na segunda partida, vitória por 1 a 0 contra o Paraguai, em Assunção. No jogo de volta, 1 a 1 no Rio de Janeiro. Por fim, na segunda fase, disputada em Cali, vitórias por 3 a 0 contra o Peru e 8 a 0 contra a Bolívia, garantindo a vaga.

Em fevereiro de 78, Coutinho convocou a Seleção, com várias críticas. Afinal, o treinador deixou Falcão de fora, então Bola de Ouro do Brasileirão, além de Marinho Chagas e Paulo Cézar Caju, que atuaram constantemente ao longo do ciclo e disputaram a Copa anterior. O elenco contava apenas com Leão e Rivellino como remanescentes de 70 e Nelinho, Waldir Peres e Dirceu, que estavam na Alemanha.

Primeira fase com sustos

Assim como em 74, o Brasil teve problemas na disputa da primeira partida. Na estreia, contra a Suécia, saiu atrás no marcador, com gol de Sjöberg, que recebeu no meio da defesa. Antes do intervalo, Reinaldo empatou, após belo lançamento de Toninho Cerezo. Entretanto, o lance polêmico veio no segundo tempo. Após cobrança de escanteio de Nelinho, Zico cabeceou e virou. Porém, o árbitro Clive Thomas encerrou o jogo enquanto a bola estava no ar, para a revolta brasileira, a primeira naquele Mundial.

Na segunda partida, mais um empate, desta vez contra a Espanha. Rivellino ficou de fora e Toninho entrou na sua vaga, de forma improvisada. Entretanto, a alteração não deu certo e a Seleção perdeu muito em infiltração, sendo criticada pela imprensa internacional. Inclusive, Amaral teve que salvar uma bola em cima da linha para evitar a derrota.

Mais uma vez, o alívio só veio no último jogo. Precisando da vitória, a Seleção veio com algumas alterações, incluindo a entrada de Roberto Dinamite no ataque. Por fim, o atacante do Vasco decidiu. Aos 40 minutos, Gil cruzou na área, Dinamite dominou e chutou no ângulo, marcando o gol da classificação brasileira.

A polêmica segunda fase

Em mais uma repetição da Copa anterior, o Brasil conseguiu demonstrar um bom desempenho na segunda fase. Afinal, no primeiro jogo, vitória contra o Peru por 3 a 0. Dirceu, em uma bela cobrança de falta, abriu o placar. Depois, o meia do Vasco arriscou de longe e goleiro peruano aceitou. No segundo tempo, Zico converteu pênalti sofrido por Dinamite e fechou o marcador.

No segundo confronto, a parada era o clássico contra a Argentina. Uma vitória poderia encaminhar a classificação para a final. Porém, o jogo foi marcado por entradas duras, naquela que ficou conhecida como “A Batalha de Rosário”. Por fim, empate sem gols e o Brasil chegou na última rodada na liderança do grupo, por conta do saldo de gols.

Na última rodada, os jogos aconteceram em horários diferentes. Primeiro, a Seleção encarou a Polônia. Nelinho, em cobrança de falta, inaugurou o marcador. Entretanto, Lato recebeu no meio da defesa brasileira e empatou. No segundo tempo, Dinamite aproveitou dois rebotes de bolas na trave e marcou duas vezes, fechando o placar em 3 a 1.

Com isso, a Argentina teria que vencer o Peru por pelo menos quatro gols. Inclusive, a partida dos donos da casa iria acontecer antes, mas os horários foram invertidos, levantando as primeiras suspeitas. Por fim, a Albiceleste goleou por 6 a 0, em um jogo visto como um dos mais controversos da história das Copas, e eliminou o Brasil.

Fora da decisão mais uma vez, coube à Seleção disputar o terceiro lugar, desta vez contra a Itália. Causio, de cabeça, abriu o placar para a Azzurra no primeiro tempo. Porém, Nelinho, em um chute espetacular de trivela, da direita, empatou, em um dos gols mais bonitos da história do torneio. Oito minutos depois, Roberto Mendonça recebeu na área, ajeitou de peito e Dirceu virou o jogo. Em uma campanha invicta, o Brasil terminava na terceira colocação.

Na grande final, a Argentina, dentro de casa, venceu a Holanda por 3 a 1, e conquistou o seu primeiro título mundial, sendo o terceiro país sul-americano campeão do mundo. Por fim, o Brasil terminou com quatro vitórias, três empates, com dez gols marcados e três sofridos e Roberto Dinamite e Dirceu como artilheiros.

Jogadores convocados

Goleiros:
Leão – Palmeiras
Carlos – Ponte Preta
Waldir Peres – São Paulo

Laterais
Toninho – Flamengo
Nelinho – Cruzeiro
Rodrigues Neto – Botafogo

Zagueiros
Oscar – Ponte Preta
Amaral – Corinthians
Edinho – Fluminense
Abel – Vasco
Polozzi – Ponte Preta

Meias:
Toninho Cerezo – Atlético Mineiro
Zico – Flamengo
Rivellino – Fluminense
Batista – Internacional
Dirceu – Vasco
Chicão – São Paulo

Atacantes:
Zé Sérgio – São Paulo
Reinaldo – Atlético Mineiro
GIl – Botafogo
Jorge Mendonça – Palmeiras
Roberto Dinamite – Vasco

Ficha técnica

Campeão: Argentina
Vice-campeã: Holanda
Final: Argentina 3 x 1 Holanda
Artilheiros: Mario Kempes (Argentina)  – seis gols
Colocação do Brasil: 3º lugar
Artilheiros do Brasil: Roberto Dinamite e Dirceu – três gols
Resultados do Brasil: Brasil 1 x 1 Suécia | Brasil 0 x 0 Espanha | Brasil 1 x 0 Áustria | Brasil 3 x 0 Peru | Brasil 0 x 0 Argentina | Brasil 3 x 1 Polônia | Brasil 2 x 1 Itália

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