Vistos geram crise na delegação iraniana antes da estreia na Copa

Vistos geram crise na delegação iraniana antes da estreia na Copa
Vistos geram crise na delegação iraniana antes da estreia na Copa -

A seleção do Irã enfrenta uma crise logística e diplomática antes da estreia na Copa do Mundo. Mahdi Mohammad Nabi, supervisor da equipe, criticou a Fifa e o presidente da entidade, Gianni Infantino, por falta de coordenação no processo de vistos para integrantes da delegação iraniana. A informação foi publicada pela Reuters nesta sexta-feira (12).

Segundo a agência, 15 integrantes da federação iraniana não receberam vistos dos Estados Unidos. Por isso, a seleção também precisou mudar sua base de treinos. Inicialmente, a delegação trabalharia em Tucson, no Arizona. No entanto, diante do impasse, o grupo transferiu a preparação para Tijuana, no México.

Apesar disso, os jogadores receberam vistos antes da estreia. Ainda assim, parte da equipe de apoio e jornalistas ficou fora da operação. Nabi cobrou a Fifa publicamente e apontou falhas na organização do processo. Além disso, o dirigente direcionou as críticas a Infantino, ao afirmar que a entidade não coordenou a situação de forma adequada.

O caso ocorre em meio a um cenário de tensão política envolvendo o Irã e os Estados Unidos. Como consequência, a preparação da seleção ganhou contornos que vão além do campo. A equipe chega à Copa com deslocamentos mais complexos, limitações de permanência em território americano e atenção redobrada em torno de sua rotina.

Ainda de acordo com a Reuters, a mudança para Tijuana alterou o planejamento iraniano na reta final antes da estreia. A cidade mexicana passou a funcionar como base de treinos da seleção. A delegação, portanto, precisará administrar deslocamentos para cumprir compromissos relacionados ao torneio.

A situação também ampliou o debate sobre a responsabilidade da Fifa na organização da Copa. Para o dirigente iraniano, a entidade deveria ter conduzido melhor a interlocução necessária para garantir a entrada de todos os integrantes credenciados. Até o momento, a questão dos vistos afeta principalmente membros da federação, funcionários de apoio e profissionais de imprensa.

Divisão entre torcedores

Além dos problemas logísticos, a seleção iraniana também enfrenta um ambiente político sensível entre torcedores nos Estados Unidos. Parte da comunidade iraniano-americana vive um dilema diante da presença da equipe na Copa do Mundo.

A situação aparece com mais força em Los Angeles, especialmente na região conhecida como “Tehrangeles”, onde vive uma numerosa comunidade de origem iraniana. Enquanto alguns torcedores pretendem apoiar a seleção, outros defendem boicote aos jogos. Para esse grupo, a equipe nacional funciona como instrumento de propaganda do regime iraniano.

Desse modo, a participação do Irã no Mundial também passou a dividir a diáspora. Por um lado, há torcedores que separam a seleção do governo e veem os jogos como uma oportunidade de manter vínculo cultural com o país de origem. Por outro, há iraniano-americanos que rejeitam qualquer demonstração pública de apoio à equipe neste momento.

A Reuters relatou que a guerra e o contexto político recente ampliaram esse desconforto. Assim, a seleção entra em campo sob pressão dupla. Dentro da estrutura do torneio, o grupo precisa lidar com vistos, logística e deslocamentos. Fora dela, a equipe convive com questionamentos sobre o significado de representar o Irã em solo norte-americano.

A estreia, portanto, ocorrerá em meio a um ambiente incomum. A preparação esportiva segue cercada por temas diplomáticos, protestos potenciais e divisões entre torcedores. Enquanto isso, os jogadores tentam manter o foco na competição, mesmo com parte da delegação ainda afetada pelas restrições de entrada nos Estados Unidos.

O Irã está no Grupo G da Copa do Mundo, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. A seleção estreia contra a Nova Zelândia e, na sequência, enfrenta Bélgica e Egito pela primeira fase.

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