Ter jogadores que nasceram em campo de refugiados em uma edição de Copa do Mundo já é um fato pouco comum. Marcar gol, então, é ainda mais raro. Foi o caso de Nestory Irakunda, que abriu o placar para a Austrália na vitória por 2 a 0 sobre a Turquia, na madrugada deste domingo, pelo Grupo D, em Vancouver. O atacante de 20 anos nasceu na Tanzânia, após a família deixar o Burundi. Em seguida, imigraram para a terra dos cangurus.
Com o feito, Irakunda se junta a Alphonso Davies, que nasceu em campo de refugiados em Gana e se naturalizou canadense. Ele, inclusive, marcou o primeiro gol de sua seleção na história dos Mundiais, em 2022, contra a Croácia. Curiosamente, a trajetória dos dois se cruzou no Bayern de Munique, afinal Irakunda foi contratado pelos alemães em 2024, mas nunca jogou pelo time principal. Ao contrário de Davies, que costuma ser titular da lateral esquerda da equipe bávara.
O australiano se tornou profissional pelo Melbourne United e logo chamou a atenção de clubes europeus. O Bayern comprou os direitos econômicos da promessa por 3 milhões de euros (R$ 15.8 milhões), em 2023, e o emprestou para o Grasshoppers, da Suíça. E no ano passado decidiu vendê-lo para o Watford, da Inglaterra, onde é titular. O gol contra a Turquia foi o sétimo dele pela Austrália.
Mas Irakunda não está sozinho neste seleto grupo entre os convocados dos socceroos. Os também atacantes Awer Mabil e Mohamed Touré tem origem similar, já que nasceram em campos de refugiados do Quênia e na Guiné, respectivamente. Mabil, por sinal, disputou a Copa de 2022.
Francês na lista de refugiados
Outro jogador de muito destaque internacional que é oriundo de um campo de refugiados é Eduardo Camavinga. O meio-campista nasceu em Angola e defendeu a França na Copa de 2022.
Para este Mundial, no entanto, Camavinga ficou fora da lista do técnico Didider Deschamps. Ele defende o Real Madrid há cinco temporadas.

