A convicção de um treinador multicampeão no exigente futebol europeu ou o clamor popular quase uníssono? Um jogador obediente ao esquema tático ou um “rebelde” com estrela? Carlo Ancelotti ficou, assim, contra a parede e se esquivou das rajadas após o empate do Brasil com o Marrocos por 1 a 1, no último sábado (13), no MetLife, em Nova Jersey, pela rodada 1 do Grupo C da Copa do Mundo. Igor Thiago e Endrick estão na briga para ser o “9” da Seleção. A vantagem, por ora, é do primeiro, titular, além do último fim de semana, na vitória sobre o Egito por 2 a 1, em Cleveland, no último teste antes do Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá. Confira, mais abaixo, números dos centroavantes.
Ancelotti, para não entrar no espinhoso “assunto Endrick”, recorreu, então, ao tradicionalíssimo “não falo sobre o desempenho individual”, subterfúgio quando um treinador não deseja dar explicações ou expor a linha de raciocínio. O treinador italiano preteriu o garoto ao não utilizá-lo contra os norte-africanos, enquanto Igor Thiago passou em branco pela segunda vez consecutiva e ainda errou as finalizações. Mas o futebol apresenta nuances. O centroavante do Brentford, sem a bola, consegue pressionar melhor os zagueiros adversários, característica que casa com os princípios mais conservadores de Carleto.
Endrick, por sua vez, tornou-se o queridinho ainda sem entrar em campo nesta Copa do Mundo. E não só da torcida brasileira. Na semana passada, aliás, a mídia europeia, em tom de cobrança, ingressou na campanha para o ex-jogador do Palmeiras estar entre os 11 titulares de Carlo Ancelotti. Decisivo, o centroavante do Real Madrid (emprestado ao Lyon) resolveu o problema de ataque contra o Egito, mas nem assim convenceu o treinador.
“Amigo é coisa para se guardar…”
Curiosamente, apesar de serem concorrentes pela mesma posição, Endrick e Igor Thiago nutrem uma forte amizade fora dos gramados. Há duas semanas, o jogador do clube espanhol pediu a palavra e realizou uma das perguntas na coletiva do centroavante do Brentford (ING), vice-artilheiro do último Campeonato Inglês, atrás somente de Haland, do Manchester City. Os dois jogadores da Seleção, aliás, costumam entrar juntos nos treinos do CT do New York Red Bulls, com reforço de Rayan, do Bournemouth (ING).
“Boa tarde, jornalista Endrick (risos). Estou muito feliz de ser um dos convocados, poder compartilhar esse momento com vocês, que é único. Ter a possibilidade de cravar o nome na história. Espero que, no final disso tudo, a gente possa conquistar o hexacampeonato”, colocou Igor Thiago.
Antes da viagem para os Estados Unidos, na vitória sobre o Panamá por 6 a 2, em amistoso, no Maracanã, Endrick cedeu a vez de bater o pênalti para Igor Thiago aumentar as suas cifras pela Seleção.
O Brasil, com apenas um ponto na tabela, volta a campo nesta sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, pela segunda rodada da fase de grupos. O adversário será o Haiti, derrotado pela líder Escócia por 1 a 0, na jornada inicial do Mundial.
A temporada 2025/2026 dos centroavantes da Seleção
Igor Thiago (Brentford)
40 jogos, 25 gols e uma assistência – Média de 0,62 por jogo
Pela Seleção
5 jogos, dois gols e uma assistência – 195 minutos (um gol a cada 97,5 minutos)
Endrick (Lyon)
24 jogos, oito gols e sete assistências – Média de 0,33 por jogo
Pela Seleção
3 jogos, um gol e uma assistência – 104 minutos
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