A vitória por 1 a 0 sobre o Haiti fez mais do que colocar a Escócia na liderança de seu grupo na Copa do Mundo. O resultado encerrou um jejum que durava desde 1990 e trouxe um novo ambiente para a seleção, que agora encara os próximos desafios com menos peso nos ombros.
O triunfo também serviu como resposta após a frustrante participação na Eurocopa de 2024, quando os escoceses foram eliminados ainda na fase de grupos. Para o técnico Steve Clarke, o resultado reforçou a confiança em um elenco que, segundo ele, jamais deixou de corresponder em termos de comprometimento.
“Às vezes, eu me coloco sob pressão demais. Mas quando você está no comando de um grupo de jogadores como este, acho que você precisa valorizar o que tem. E eu realmente valorizo o que tenho. Um elenco. Eles nunca me decepcionaram. Eles tiveram resultados ruins, mas nunca me decepcionaram. E é por isso que posso vir a um torneio como este e aproveitá-lo”, disse o treinador.
A conquista teve um significado ainda mais especial para Clarke. Aos 62 anos, ele participa de sua primeira Copa do Mundo e não esconde a emoção por finalmente viver o principal torneio do futebol representando seu país.
“Nunca estive em uma Copa do Mundo. Esperei 62 anos para estar na Copa do Mundo. Estou no futebol há 44 anos. Para mim, isso é tudo. É o que eu sempre quis fazer: ir a uma Copa do Mundo com o meu país. E agora estou aqui. Tive uma carreira fantástica como jogador, uma ótima carreira como técnico e treinador, mas estar aqui sentado como técnico principal de um grupo fantástico de jogadores na Copa do Mundo. Quer dizer, o que há para não gostar”, completou o técnico.
Menos pressão diante dos favoritos
Com os três pontos conquistados na estreia, a Escócia agora volta suas atenções para os confrontos mais complicados da chave. Na sexta-feira (19/6), a equipe enfrenta o Marrocos, em Boston. Já o duelo contra o Brasil está marcado para o dia 24 de junho, em Miami.
Os dois adversários figuram entre as dez melhores seleções do mundo, mas Clarke acredita que a vitória sobre o Haiti mudou o cenário emocional para seus jogadores.
” Os próximos dois jogos contra equipes do top 10 mundial serão difíceis, mas, obviamente, vamos enfrentá-los com um pouco menos de pressão do que todos colocaram sobre nós antes deste jogo. Assim como todos que colocaram muita pressão sobre si mesmos antes do primeiro jogo, para que possamos encarar os próximos dois jogos com um pouco menos de pressão. Se defendermos tão bem quanto defendemos lá e mostrarmos a mesma resiliência, e, com sorte, jogarmos um pouco melhor com a bola e criarmos um pouco mais de jogadas, ficaremos bem”, afirmou.
Uma geração que tenta fazer história pela Escócia
A atual base da seleção escocesa atua junta há cerca de sete anos. Ainda assim, chegar a uma Copa do Mundo continua sendo um desafio raro para o país. Esta é apenas a nona participação da Escócia no torneio, e a anterior havia ocorrido em 1998. Além disso, a equipe jamais avançou da fase de grupos.
Por isso, Clarke destacou a importância simbólica do resultado obtido diante do Haiti. Para ele, o elenco merecia encerrar uma espera tão longa por uma vitória em Mundiais.
“Vou apenas dizer como é difícil para um país como a Escócia chegar a uma Copa do Mundo e vencer jogos; isso não acontece com muita frequência. Este grupo de jogadores, já falei sobre isso muitas e muitas vezes, acho que eles mostraram sua experiência esta noite. Falei sobre eles na última vez, ficamos desapontados com as duas atuações, os dois resultados na Eurocopa. Desta vez, você entra com essa pressão sobre você, além da pressão de que precisa vencer o primeiro jogo, e eles merecem isso. Eles têm sido tão bons para o seu país nos últimos sete anos. Eles merecem ser a equipe que finalmente conseguiu mais uma vitória na Copa do Mundo. Então, sim, estou muito feliz por eles”, finalizou o treinador.
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