Zico, Felipão e Rivaldo: o DNA brasileiro no último estreante da Copa do Mundo

ADELAIDE, AUSTRALIA - OCTOBER 08:  Paul Reid of United crashes in to Rivaldo of Bunyodkor during the AFC Champions League semi-final first leg match between Adelaide United and Bunyodkor at Hindmarsh Stadium on October 8, 2008 in Adelaide, Australia.  (Photo by Simon Cross/Getty Images)
ADELAIDE, AUSTRALIA - OCTOBER 08: Paul Reid of United crashes in to Rivaldo of Bunyodkor during the AFC Champions League semi-final first leg match between Adelaide United and Bunyodkor at Hindmarsh Stadium on October 8, 2008 in Adelaide, Australia. (Photo by Simon Cross/Getty Images) -

A última seleção estreante a entrar em campo na Copa do Mundo de 2026 teve uma relação estreita com o Brasil durante três anos. Você pode não se lembrar, mas Zico, Felipão e Rivaldo, entre outros, foram campeões no Uzbequistão, que enfrenta Portugal nesta quarta-feira (17), às 14h, em Houston, pelo Grupo K. O movimento inusitado dos ídolos da bola foi associado a um projeto ambicioso e muito, mas muito dinheiro.

Em 2005, um grupo de empresário do ramo petroleiro fundou o Bunyodkor. Atrás de resultados expressivos, o clube tentou contratar Samuel Eto’o, que acabou trocando o Barcelona pela Inter de Milão. O alvo tinha um motivo: uzbeques e catalães disputaram um amistoso semanas antes e mantinham negócios. O caminho foi apostar em brasileiros, e Zico foi convidado para treinar a equipe, enquanto Rivaldo assumiu a camisa 10, em 2008.

“Queremos nos tornar conhecidos, por isso contratamos Rivaldo e Zico. Com eles, em nosso time, o objetivo é conquistar todos os torneios, embora a prioridade seja a Liga dos Campeões da Ásia”, informou um porta-voz do Bunyodkor à época.

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Milhões, muitos gols e títulos

Para seduzir nomes famosos, os empresários ofereceram contratos de nível de primeira prateleira europeia. Rivaldo, por exemplo, teria recebido mais de 5 milhões de euros por ano (em torno de R$ 12.5 milhões). E o pentacampeão do mundo em 2002 não decepcionou, empilhando gols e assistências. No total, foram 42 em 76 jogos. Na goleada de 5 a 0 sobre Sogdiana Jizzakh, o meia-atacante chegou a marcar quatro vezes em 17 minutos.

A dupla Zico e Rivaldo foi fundamental para a conquista da Copa e do campeonato nacional local, mas fracassou na Liga dos Campeões asiática. Antes do fim do vínculo, em 2009, o Galinho recebeu uma proposta do CSKA Moscou e decidiu aceitá-la. Entretanto, o Bunyodkor não desistiu e trouxe outro brasileiro: Luiz Felipe Scolari. Ele havia sido demitido do Chelsea e topou o desafio em troca de um contrato melhor ao que recebia na Inglaterra, além de alguns milhões em luvas.

“Estava quase acertado com o Valencia. Até viajei, escolhi casa, mas o Chelsea me informou que se eu permanecesse na Europa, o contrato não seria rescindido, mas encerrado, sem o acerto de pagamentos. Poderia voltar ao Brasil ou ir a outro lado que seria honrado”, explicou Felipão, ao ge.globo.

Outros brasileiros também participaram da campanha da equipe em 2009 e 2010, como o zagueiro Leomar, o lateral-direito Edson Ratinho e o volante João Victor. Uma sequência, aliás, que se manteve ao longo da década seguinte, sempre com dois a cinco brasileiros na Liga.

Crise no clube precede evolução no país

Mas a passagem do ex-treinador da Seleção e de Portugal também não teve êxito continental. Apesar de campeão nacional, até com larga vantagem, o Bunyodkor caiu nas quartas de final da Liga dos Campeões da Ásia e começou a ter problemas financeiros.

Felipão, então, percebeu que o barco ia afundar, entrou em acordo para rescindir e acertar com o Palmeiras, regressando ao futebol brasileiro após nove anos. Já Rivaldo fechou com o São Paulo, onde teve seus últimos momentos de destaque na carreira.

De 2012 em diante, o Bunyodkor nunca mais figurou na principal competição asiática e amarga jejum de títulos da Liga. Por outro lado, o futebol do Uzbequistão evoluiu bastante e passou a exportar jogadores para além da liga russa.

Carros pela classificação à Copa

Com o aumento de vagas para o Mundial, cresceu também a esperança da classificação inédita. Após uma boa campanha, a seleção se garantiu na Copa sem a necessidade da repescagem. Os jogadores ganharam um carro de presente, o famoso “bicho”, da federação.

Mesmo com o resultado histórico, houve a troca de comando, e Fabio Cannavaro assumiu o trabalho em outubro de 2025, com a missão de não fazer feio nos Estados Unidos, Canadá e México. O ex-zagueiro foi campeão em 2006 pela Itália e disputou quatro Mundiais como jogador.

Os principais destaques do time são o atacante Eldor Shomurodov, da Roma e o jovem zagueiro Abdukodir Khusanov, reserva do Manchester City.