HBO prepara série inédita sobre a Democracia Corinthiana dos anos 1980

HBO prepara série inédita sobre a Democracia Corinthiana dos anos 1980
HBO prepara série inédita sobre a Democracia Corinthiana dos anos 1980 -

O mercado audiovisual brasileiro ganhará uma produção de peso sobre um dos períodos mais marcantes do esporte nacional. A HBO anunciou oficialmente o desenvolvimento de uma série inédita focada na Democracia Corinthiana, movimento revolucionário que chocou o futebol do país na década de 1980. A produtora Maria Farinha Filmes comanda o projeto, que atualmente se encontra na fase de pré-produção e já iniciou as etapas de seleção del elenco.

A idealizadora Moara Passoni criou e desenvolveu o projeto conceitual, acumulando também as funções de roteirista-chefe e produtora executiva. Além disso, a direção geral da obra trará a assinatura de Aly Muritiba, um dos cineastas mais prestigiados do cinema brasileiro contemporâneo. A produção executiva do seriado contará com o suporte direto de nomes como Mariana Oliva, Ana Lúcia Villela, Estela Renner, Luana Lobo e Marcos Nisti.

A origem da Democracia Corinthiana e o voto coletivo

Para compreender o enredo da nova série, o espectador precisa mergulhar no contexto político que inspirou o roteiro. A Democracia Corinthiana operou entre os anos de 1981 e 1984, surgindo justamente no período final da ditadura militar no Brasil. Na época, o icônico publicitário Washington Olivetto batizou o movimento para traduzir o novo modelo administrativo implementado na agremiação.

A premissa da gestão alvinegra apresentava um formato simples e muito poderoso. A partir daquele momento, todos os funcionários tomavam as decisões cotidianas do Corinthians de maneira estritamente coletiva. Desde o roupeiro até o treinador da equipe principal, cada integrante da instituição possuía exatamente o mesmo direito a um voto individual. O diretor de futebol Adílson Monteiro Alves idealizou esse modelo histórico, que ganhou tração imediata com a liderança técnica e intelectual de Sócrates, Wladimir e Casagrande dentro dos vestiários.

Conquistas nos gramados e engajamento nas Diretas Já

A inovação administrativa gerou resultados imediatos dentro das quatro linhas. O Corinthians apresentou um futebol vistoso e conquistou o bicampeonato do Campeonato Paulista nos anos de 1982 e 1983. Além do sucesso esportivo, o clube paulista saneou completamente as suas finanças internas e quitou os débitos acumulados de gestões passadas.

Entretanto, o movimento rapidamente ultrapassou as barreiras dos gramados e se conectou de forma direta com a campanha das Diretas Já, que exigia o retorno das eleições presidenciais diretas no Brasil. Os jogadores entravam em campo utilizando camisas estampadas com frases de protesto como “Eu Quero Votar Para Presidente”.

O craque Sócrates atuava como o grande símbolo daquela resistência. O jogador usava a sua formação como médico e a visibilidade midiática do esporte com o objetivo de criticar abertamente o autoritarismo do regime. O movimento perdeu força em 1984 com a transferência do meia para a Fiorentina, da Itália, encerrando-se em 1985 com a troca da diretoria executiva.

Detalhes da nova produção com oito episódios na TV

A narrativa estruturada pela HBO focará a sua atenção na trajetória de quatro personagens centrais do movimento. Sócrates, Casagrande, Wladimir e Adílson Monteiro Alves receberão os principais holofotes ao longo da trama. O roteiro, que traz a cocriação do escritor David Barker, explorará os dilemas pessoais profundos dos atletas enquanto eles confrontavam o sistema autoritário vigente no país.

Por fim, o seriado apresentará um total de oito episódios misturando esporte, engajamento político e resistência humana. A HBO aposta no projeto como uma ferramenta cultural relevante para apresentar essa história de coragem para as novas gerações. Afinal, a história da Democracia Corinthiana prova de forma definitiva que o futebol pode atuar como um instrumento real de transformação social.

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