Goleada canadense entra em ranking de vitórias elásticas de anfitriões de Copas

Goleada canadense entra em ranking de vitórias elásticas de anfitriões de Copas
Goleada canadense entra em ranking de vitórias elásticas de anfitriões de Copas -

O Canadá colocou sua goleada sobre o Catar em uma prateleira histórica das Copas do Mundo. Com o 6 a 0 desta quinta-feira (18), no Vancouver Place, em British Columbia, pela segunda rodada do Grupo B, a seleção de Jesse Marsch igualou a maior margem de vitória já alcançada por um país anfitrião no torneio masculino.

Além disso, o resultado deixou o Canadá ao lado de três marcas históricas de seleções que jogavam em casa. A Itália venceu os Estados Unidos por 7 a 1 em 1934. Depois, o Brasil fez 7 a 1 na Suécia em 1950. Já a Argentina goleou o Peru por 6 a 0 em 1978. Portanto, todos esses placares terminaram com seis gols de diferença, mesma margem construída pelos canadenses diante do Catar.

A goleada, por consequência, encerrou uma espera de 48 anos entre anfitriões. Desde Argentina 6 x 0 Peru, nenhum país-sede havia vencido uma partida de Copa por seis gols de diferença. A Rússia, em 2018, chegou perto na abertura do torneio, quando bateu a Arábia Saudita por 5 a 0. Ainda assim, ficou um gol abaixo da margem máxima.

Entre os maiores anfitriões

A marca canadense ganha peso porque aparece em um recorte muito específico. Vencer por seis gols de diferença em Copa do Mundo já representa um feito raro. Fazer isso como país-sede, portanto, amplia o alcance estatístico do resultado e coloca a seleção em uma galeria curta.

Até esta quinta-feira, apenas Itália, Brasil e Argentina tinham conseguido uma margem tão ampla jogando em casa. Agora, o Canadá passa a integrar esse grupo. Além disso, faz isso em uma edição disputada em três países, mas com atuação como anfitrião diante de sua torcida, em Vancouver.

O placar também muda a percepção sobre a campanha canadense. A equipe havia empatado com a Bósnia e Herzegovina na estreia e ainda buscava sua primeira vitória em Copas. No entanto, contra o Catar, conseguiu mais do que vencer. Construiu uma goleada que entrou diretamente na história do torneio.

Recorde geral ainda distante

No ranking geral das maiores goleadas da história das Copas, o Canadá ainda fica abaixo do topo. A maior margem já registrada no torneio é de nove gols. A Hungria fez 9 a 0 na Coreia do Sul em 1954. Depois, a Iugoslávia repetiu a diferença no 9 a 0 sobre o Zaire em 1974. Por fim, a própria Hungria voltou ao recorde com 10 a 1 sobre El Salvador em 1982.

Assim, a vitória canadense não entra entre as maiores margens absolutas da história do Mundial. Ainda assim, o 6 a 0 fica em um patamar expressivo. A diferença de seis gols supera muitos placares marcantes de seleções tradicionais e, sobretudo, ganha outro peso pelo contexto de anfitrião.

Há, portanto, duas leituras possíveis. No ranking geral, o Canadá fica abaixo das maiores goleadas absolutas. No recorte de países-sede, porém, iguala o topo. Por isso, o resultado sobre o Catar não aparece apenas como uma vitória larga, mas como um marco estatístico da competição.

Marca continental

O placar também supera a maior goleada anterior de uma seleção da Concacaf em Copas. Até então, a principal marca da região era o 4 a 0 do México sobre El Salvador, em 1970. Com seis gols de diferença, o Canadá elevou esse limite continental e, ao mesmo tempo, transformou sua primeira vitória em casa no Mundial em recorde regional.

Essa marca reforça a dimensão do resultado para o futebol da América do Norte, Central e Caribe. A Concacaf já teve campanhas relevantes em Copas, especialmente com México, Estados Unidos e Costa Rica. No entanto, nenhuma seleção da região havia construído uma vitória tão ampla no torneio.

Dessa forma, o Canadá não apenas avançou na própria história. Também reposicionou a região em uma lista de goleadas que, normalmente, reúne seleções europeias e sul-americanas. A partida contra o Catar, portanto, passa a ter peso nacional e continental.

Domínio desde cedo

A construção do resultado começou ainda no primeiro tempo. Larin abriu o placar aos 15 minutos. Em seguida, Jonathan David marcou aos 28 e voltou a aparecer aos 47, antes do intervalo. Com isso, o Canadá foi para o vestiário com 3 a 0, ampla superioridade e controle total da partida.

Na etapa final, o domínio continuou. Saliba fez o quarto em cobrança de falta. Depois, Manai marcou contra. Já nos acréscimos, Jonathan David completou o hat-trick aos 46 minutos, ao dominar dentro da área, girar e bater de esquerda.

O Canadá, além disso, manteve intensidade mesmo com a vantagem construída. A equipe já havia chegado ao intervalo com 11 finalizações certas e seguiu atacando pelos lados. Assim, transformou superioridade técnica, vantagem numérica e ambiente favorável em uma goleada histórica.

Cena dramática

O jogo, no entanto, também teve uma cena dramática. Koné sofreu uma entrada dura de Madibo no início do segundo tempo e deixou o campo de maca, após fraturar a perna esquerda. O jogador do Catar recebeu cartão vermelho. Antes disso, Homam Ahmed já havia sido expulso ainda no primeiro tempo, depois de revisão do VAR em falta sobre Buchanan.

Com dois jogadores a mais, o Canadá controlou o restante da partida. Ainda assim, a lesão de Koné marcou a noite e provocou comoção entre jogadores e torcedores. Saliba, que entrou justamente no lugar do volante, homenageou o companheiro depois de marcar o quarto gol canadense.

A imagem sintetizou parte da noite em Vancouver. De um lado, o Canadá celebrava uma marca histórica. De outro, lidava com a preocupação pela gravidade da lesão de um de seus jogadores. Portanto, a goleada também teve um componente emocional importante.

História ofensiva ampliada

A noite também mudou a história ofensiva canadense em Copas. Antes do duelo com o Catar, o Canadá tinha apenas três gols somados em todas as suas participações no torneio. Não marcou em 1986, fez dois gols em 2022 e havia balançado a rede uma vez na estreia de 2026.

Em Vancouver, no entanto, a seleção fez seis gols em uma só partida. Assim, passou de três para nove gols no total histórico em Mundiais. Ou seja, em 90 minutos, marcou o dobro de tudo o que havia produzido nas Copas anteriores e na estreia desta edição.

Esse salto ajuda a explicar o tamanho do resultado. O Canadá não apenas venceu por goleada. Além disso, reescreveu sua própria relação com o torneio, em uma Copa disputada diante de sua torcida e em uma fase decisiva para suas ambições.

Situação no grupo

Com o resultado, o Canadá chegou a quatro pontos e assumiu a liderança provisória do Grupo B. A equipe fecha a fase de grupos contra a Suíça, no dia 24, às 16h (de Brasília), em Vancouver.

Já o Catar permaneceu com um ponto e passou a depender de uma reação na última rodada. A seleção enfrenta a Bósnia e Herzegovina no mesmo dia e horário, em Toronto.

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