O Haiti reencontra o Brasil nesta sexta-feira (19), às 21h30 (de Brasília), na Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo. Embora enfrente uma seleção pentacampeã, o técnico Sébastien Migné tenta impedir que seus jogadores tratem os brasileiros como “deuses”. Ainda assim, o treinador francês reconheceu a admiração do elenco haitiano por nomes como Vini Jr.
O confronto reúne realidades muito diferentes. De um lado, o Brasil chega como uma das principais forças da competição. Do outro, o Haiti disputa apenas sua segunda Copa do Mundo, depois de 52 anos longe do torneio. Por isso, Migné afirma que trabalha a parte emocional do elenco para que a equipe encare o jogo com respeito, mas sem bloqueio mental.
“Isso é algo que estamos trabalhando há um tempo com meus jogadores. Precisamos garantir que a gente tenha os adversários certos pra nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos. Vou falar do meu filho, mas também de muitos outros jogadores. Eles amam o Vinicius, e amanhã vamos enfrentar esse tipo de jogador. Isso é incrível pra nós. Temos muita sorte, muitos gostariam de estar no nosso lugar. Muitos times não se classificaram pra Copa do Mundo e amanhã vamos jogar contra um dos melhores times”, disse o técnico francês em entrevista coletiva.
A fala mostra o tamanho simbólico da partida para o Haiti. Além disso, expõe o desafio de uma seleção com pouca experiência internacional. Migné, portanto, tenta equilibrar a admiração pelos brasileiros com a necessidade de competir desde o primeiro minuto.
Gestão emocional
O treinador também destacou que precisa adaptar a abordagem para cada jogador. Segundo ele, a comissão técnica trata o duelo com o Brasil como um teste de controle emocional, intensidade e comprometimento. Afinal, parte do elenco haitiano terá pela frente atletas que costuma acompanhar como referência.
“(Contra o Brasil) vamos conseguir nos avaliar. Vamos tentar encarar o desafio, ir além. Esse é o objetivo pra amanhã. Tenho 26 jogadores no meu elenco, então preciso ser 26 pessoas diferentes, basicamente, porque é um suporte personalizado. É sobre gestão de estresse. Lembre que não temos muita experiência internacional. Alguns vão adorar o fato de estarem enfrentando (o Brasil). Cabe a mim e à minha comissão encontrar a abordagem certa. Queremos garantir que desde o início do jogo estejamos totalmente comprometidos em alcançar nossos objetivos”, projetou.
Assim, o Haiti tenta transformar o peso do adversário em motivação. Ainda que reconheça a superioridade técnica do Brasil, Migné quer uma equipe capaz de competir sem arrependimentos. Para ele, a partida oferece uma chance rara de medir o nível do grupo contra uma das seleções mais tradicionais do mundo.
Retorno depois de 52 anos
A Copa de 2026 marca o retorno haitiano ao Mundial desde 1974. Na primeira participação, a seleção caribenha caiu ainda na fase de grupos, mas marcou seu nome na história ao encerrar o recorde de invencibilidade do goleiro italiano Dino Zoff. Agora, portanto, a equipe busca novos momentos simbólicos no torneio.
O Haiti estreou nesta edição com derrota por 1 a 0 para a Escócia. Por isso, o jogo contra o Brasil ganha peso ainda maior. Uma nova derrota deixaria a seleção em situação delicada antes da última rodada, contra o Marrocos. Mesmo assim, Migné evita projetar cenários improváveis e prefere cobrar entrega.
“Bom, eu acho que seria incrível para o Haiti, seria incrível também ver as celebrações se ganharmos. Quando você está tentando se tornar um treinador, você quer vencer. Mas, quando você é técnico do Haiti, você tem que sobreviver a mais desafios. E, graças ao futebol, nós podemos viver momentos lindos. Eu não quero projetar um vitória hipotética. Mas nós teremos que fazer o nosso melhor para que nós não tenhamos arrependimentos”, completou.
A declaração reforça o tom adotado pelo treinador. Migné não vende ilusão, porém também não aceita uma postura conformada. Desse modo, o Haiti tenta entrar em campo com organização, coragem e disciplina.
Memória contra o Brasil
Migné também carrega uma lembrança recente contra a seleção brasileira. Em 2022, ele era auxiliar técnico de Camarões, que venceu o Brasil por 1 a 0 na última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo do Catar. Naquela partida, Neymar não jogou. Agora, novamente, o camisa 10 brasileiro será desfalque.
“Isso acontece em todos os time. O que eu vejo aqui é, por exemplo, quatro anos atrás, Neymar não estava disponível. Eu não me lembro se ele estava lesionado ou o que aconteceu, mas ele não estava no campo. Então, é um sinal positivo. Nós usaremos o que pudermos para ser eficientes e tentar fazer história pelo Haiti”, prometeu.
Apesar da referência ao resultado de Camarões, o contexto é diferente. O Haiti chega com menos tradição, menor elenco e menos experiência em jogos desse porte. Ainda assim, a lembrança serve como combustível para um treinador que já viveu uma vitória sobre o Brasil em Copa.
Laços entre os países
Brasil e Haiti também carregam uma relação que vai além do futebol. Os dois países já fizeram amistoso com função diplomática, em meio a uma missão de paz. Além disso, parte da população haitiana costuma torcer pela seleção brasileira quando o Haiti não disputa grandes torneios.
Esse vínculo, portanto, aumenta o peso emocional do encontro. Para muitos jogadores haitianos, enfrentar o Brasil significa jogar contra uma seleção historicamente admirada no país. Ao mesmo tempo, Migné tenta transformar essa admiração em energia competitiva.
O Brasil enfrenta o Haiti nesta sexta-feira, às 21h30 (de Brasília), na Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo C. Depois da partida contra os brasileiros, a seleção haitiana encerra a fase de grupos diante do Marrocos.
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