A primeira rodada da Copa do Mundo mostrou como a República Democrática do Congo foi capaz de conter Cristiano Ronaldo. Após o surpreendente empate em 1 a 1, o autor do gol da equipe africana, Yoane Wissa, chamou a atenção para a guerra que acontece no país, em discurso melancólico. E um dos anfitriões da competição de futebol têm papel decisivo na tentativa de solucionar os conflitos.
Afinal, os Estados Unidos mediaram um acordo de paz entre Ruanda, o grupo rebelde M23 e o governo congolês, com interesses econômicos na região, rica em minérios. No entanto, a formalidade assinada não vem sendo cumprida. Por isso, o leste da nação segue em risco e com milhares de famílias em constante deslocamento após os ataques.
“Você sabe, é muito difícil em casa. Há guerra no Congo. Isso significa o mundo para eles. As pessoas veem o que querem ver. É um povo que trabalha muito duro. É por isso que estou muito feliz por eles. Só rezo por paz e o melhor para eles”, disse Wissa, após o jogo contra Portugal.
Entenda a razão dos conflitos
Historicamente, Ruanda e RD Congo se dividem em duas tribos étnicas: tutsis e hutus. Em 1994, um massacre dos extremistas hutus em Ruanda deixou cerca de 800 mil mortos. Anos depois, os tutsi se reorganizaram para reagir e formaram o M23 – um exército de desertores que busca explorar recursos minerais congoleses. Supõe-se que o governo ruandês apoia o grupo que, recentemente, vem causando muito terror no leste do país vizinho.
Guerra em três países que jogam a Copa
No total, três países que participam da Copa do Mundo estão associados em algo tipo de guerra civil. Além de RD Congo, as populações de Irã e o Haiti também sofrem com a instabilidade política. Principal potência bélica do planeta, os norte-americanos estão envolvidos nos três casos.
Com duas derrotas, incluindo 3 a 0 para o Brasil, o Haiti já está eliminado e cumpre tabela contra Marrocos na última rodada. Já o Irã resistiu à Bélgica e tem dois pontos, com boas chances de garantir a vaga na segunda fase, em duelo com o Egito, no próximo sábado.
Por fim, Congo tem a Colômbia pela frente nesta terça-feira (23), às 23h, em Akron, em busca de uma façanha inédita. Na primeira vez em que disputou o Mundial, em 1974, a nação se chamava Zaire e parou na fase de grupos, sem nenhum gol ou ponto marcado.
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