Depois de 44 anos, Copa do Mundo pode ter reedição do “Jogo da Vergonha”

Depois de 44 anos, Copa do Mundo pode ter reedição do “Jogo da Vergonha”
Depois de 44 anos, Copa do Mundo pode ter reedição do “Jogo da Vergonha” -

Quarenta e quatro anos depois, a Copa do Mundo pode voltar a ser palco de um roteiro que marcou para sempre a história do torneio. Neste sábado (26), Argélia e Áustria se enfrentam pela última rodada do Grupo J e um empate basta para classificar as duas equipes à segunda fase. O cenário, assim, remete imediatamente ao infame “Jogo da Vergonha”, disputado no Mundial de 1982, na Espanha.

Naquela Copa, realizada na Espanha, a Argélia havia encerrado sua participação na fase de grupos com uma vitória por 3 a 2 sobre o Chile e ficou à espera do resultado entre Alemanha Ocidental e Áustria. Os argelinos tinham surpreendido o mundo ao derrotar os alemães por 2 a 1 na estreia, tornando-se a primeira seleção africana a vencer uma equipe europeia em Copas do Mundo.

O problema era matemático. Alemães e austríacos entraram em campo sabendo que uma vitória da Alemanha por um ou dois gols de diferença classificaria ambos e eliminaria a Argélia. Aos 11 minutos, o atacante alemão Hrubesch marcou o único gol da partida. A partir dali, as duas equipes praticamente deixaram de atacar, trocaram passes sem qualquer intenção ofensiva e, assim, administraram o resultado até o apito final.

A cena, aliás, provocou revolta no estádio El Molinón, em Gijón. Torcedores exibiam notas de dinheiro, vaiaram, gritaram “Argélia” e chegaram a pedir que os jogadores se beijassem. O ‘Jogo da Vergonha’ entrou para a história como um dos episódios mais controversos dos Mundiais e ainda hoje desperta lembranças e debates.

‘Fraude para 40 mil espectadores’

Na TV, narradores alemães, revoltados, tomaram atitudes drásticas. Um deles pediu para que os telespectadores desligassem a televisão enquanto outro se recusou a narrar o que ele chamou de “desonra”. Em protesto, o jornal El Comercio, de Gijon, publicou o resultado do jogo na parte policial. “Fraude para 40 mil espectadores”, foi a manchete.

As consequências, inclusive, foram profundas. A indignação levou a Fifa a mudar o regulamento e determinar, portanto, que os jogos da última rodada da fase de grupos passassem a ser disputados simultaneamente. A medida foi adotada a partir da Copa de 1986 para evitar novas combinações de resultados.

Agora, os mesmos personagens voltam a se encontrar em uma Copa do Mundo. Embora o formato atual, com 48 seleções e vagas para alguns terceiros colocados, seja diferente do de 1982, a coincidência não passou despercebida. A imprensa austríaca e argelina já resgatou as memórias de Gijón, enquanto torcedores da Argélia enxergam a partida deste sábado como uma oportunidade simbólica de encerrar uma ferida aberta há mais de quatro décadas.

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