Prêmio da Paz concedido pela Fifa a Donald Trump pode ser investigado

President Donald Trump, flanked by Vice President JD Vance and FIFA President Gianni Infantino, announces that the FIFA World Cup draw will take place on December 5 at the Kennedy Center, Friday, August 22, 2025. (Official White House Photo by Joyce N. Boghosian)
President Donald Trump, flanked by Vice President JD Vance and FIFA President Gianni Infantino, announces that the FIFA World Cup draw will take place on December 5 at the Kennedy Center, Friday, August 22, 2025. (Official White House Photo by Joyce N. Boghosian) -

A decisão de Gianni Infantino de homenagear o presidente dos EUA, Donald Trump, com um Prêmio da Paz passou a ser alvo de pressão política na Europa. Cinquenta integrantes do Parlamento Europeu enviaram uma carta à Fifa pedindo que o Comitê de Ética da entidade investigue a atuação do dirigente.

Os parlamentares questionam a criação da premiação e, principalmente, a escolha de Trump como primeiro homenageado. O troféu, aliás, foi concedido em dezembro de 2025, durante a cerimônia do sorteio da Copa do Mundo 2026, em Washington.

No documento, os eurodeputados defendem que a Fifa esclareça os critérios adotados para conceder a honraria e avalie se Infantino desrespeitou as normas internas da entidade. Segundo eles, a apuração, inclusive, serviria para demonstrar que a organização aplica seus princípios de transparência, responsabilidade e neutralidade política de forma efetiva.

A iniciativa reúne parlamentares de 13 países europeus, com predominância de representantes das bancadas social-democrata, liberal e verde. A articulação é liderada pelo irlandês Barry Andrews, pela holandesa Lara Wolters e pelo dinamarquês Niels Fuglsang. A Fifa não se manifestou sobre o assunto.

Ofensiva contra o prêmio

A ofensiva recebeu o respaldo da organização internacional de direitos humanos FairSquare. Para a ONG, portanto, a carta representa a mais forte manifestação de líderes políticos europeus contra a gestão da Fifa desde 2015, quando o Parlamento Europeu cobrou a saída de Sepp Blatter da presidência da entidade em meio à crise que abalou a cúpula do futebol mundial.

De acordo com a FairSquare, Infantino pode ter violado o artigo 15 do Código de Ética da Fifa, que exige neutralidade política de dirigentes da entidade.

A contestação ao prêmio, porém, não é inédita. Antes da mobilização dos eurodeputados, a Federação Norueguesa de Futebol (NFF)  já havia protocolado uma reclamação formal junto à Fifa. A entidade também pediu que a honraria fosse extinta e segue como a única associação nacional a se posicionar oficialmente contra a iniciativa.

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