Filho do projeto Red Bull, técnico do Canadá quer ser “pesadelo” para Marrocos

Filho do projeto Red Bull, técnico do Canadá quer ser “pesadelo” para Marrocos
Filho do projeto Red Bull, técnico do Canadá quer ser “pesadelo” para Marrocos -

A formação e o método de jogo deixam claro que Jesse Marsch tem uma ideia sobre futebol e muita sede para implementá-la. Técnico do Canadá há dois anos, vive o maior momento da carreira – está a apenas 90 minutos de levar uma seleção com pouca expressão às quartas de final da Copa do Mundo.

Ainda que sejam anfitriões, os canadenses não tinham altas expectativas. No entanto, a evolução no desempenho trouxe os resultados. A base do trabalho é o projeto do Red Bull, que mantém clubes espalhados pelo mundo e o manteve empregado por sete anos. A filosofia consiste em pressão alta no adversário, intensidade constante e transições rápidas. Foi assim que o time goleou o Catar e dominou parte do duelo com a África do Sul, que terminou 1 a 0, pela segunda fase.

E é desse jeito também que o norte-americano Marsch espera surpreender Marrocos, neste sábado, às 14h, em Houston, para entrar de vez para a história do futebol do país. O treinador usou o termo “pesadelo” para descrever o que seu estilo de jogo é capaz de causar.

“Estamos no caminho certo. Acredito que somos um pesadelo para qualquer adversário. Contra o Marrocos, vamos manter essa mentalidade, embora, ao mesmo tempo, se perdermos um jogador pelo caminho ou se nossa intensidade cair nem que seja 1%, isso vá nos afetar”, ponderou.

“Louco” por largar a Europa

Aos 52 anos, Jesse Marsch aprendeu a ter discursos motivadores e não abre mão das palavras fortes. Já chamou seus atletas de “heróis” algumas vezes, inclusive com microfone aberto no gramado, nesta Copa. Classificado como performático, diz que não liga. Para a Federação, aliás, o trabalho parece ser muito positivo. Afinal, recentemente, teve um aumento salarial e o contrato estendido até 2030.

O curioso é que deixou seu processo de ascensão no futebol europeu, onde sempre quis trabalhar, para regressar a América do Norte e alterar a rota do planejamento de carreira. Para o treinador, a decisão foi um ato de loucura.

“Eu até comentava que era uma loucura aceitar o convite, ainda mais tendo como primeiros compromissos Holanda, França e Argentina (todos amistosos). Pensei: sou um louco, o que meu empresário tinha na cabeça ao me sugerir este trabalho?’ (risos). Mas esse início difícil foi excelente para mostrar ao grupo o real padrão exigido no futebol de elite”, explicou Marsch.

Como jogador, ele teve sucesso como meio-campista do Chicago Fire e do extinto Chivas USA. Não conseguiu, porém, ser convocado para um Mundial. Já em 2015, assumiu o New York Red Bulls e imergiu no projeto da marca de energéticos por sete anos, em clubes diferentes. No Brasil, o Bragantino absorveu o Red Bull.

Clubes de Marsch como treinador:

New York Red Bulls (2015–2018): ganhou a eleição de técnico do ano em sua primeira experiência na MLS. Com futebol agressivo, foi um dos melhores ataques do campeonato.

RB Salzburg (2019–2021): campeão austríaco e da Copa da Áustria duas vezes consecutivas. Além disso, se tornou o primeiro técnico nascido nos Estados Unidos s vencer uma partida na Liga dos Campeões.

RB Leipzig (2021): voltou ao futebol alemão, onde havia sido auxiliar, mas não teve sucesso na grande chance da carreira até então. Acabou demitido após alguns meses e deixou o grupo Red Bull.

Leeds United (2022-2023): conquistou uma vitória sobre o Liverpool, fora de casa, mas obteve resultados irregulares. O clube caiu, mas não sem antes dispensar Marsch, que 11 meses depois assumiu o Canadá.

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