Vasco entra com recurso na Justiça para tentar derrubar intervenção na SAF

Vasco entra com recurso na Justiça para tentar derrubar intervenção na SAF
Vasco entra com recurso na Justiça para tentar derrubar intervenção na SAF -

O Vasco da Gama deu um passo importante nos tribunais nesta segunda-feira (6). O clube protocolou um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) para suspender de forma imediata os efeitos da decisão que a 4ª Vara Empresarial proferiu no último dia 22 de junho. A determinação original afastou o presidente Pedrinho e outros dois membros do Conselho de Administração da SAF, além de instituir uma intervenção judicial na gestão do futebol cruz-maltino.

No recurso apresentado, o clube associativo sustenta que a medida causou uma interferência indevida e prejudicial na governança da companhia. A defesa vascaína apresenta como principal argumento o fato de que a Câmara de Arbitragem da FGV já analisa as discussões a respeito do controle societário e das diretrizes da SAF em um procedimento arbitral. Desse modo, o Vasco defende que a responsabilidade de deliberar sobre a estrutura empresarial cabe exclusivamente aos árbitros, e não à Justiça comum.

Questionamentos ao processo e direito de defesa

O departamento jurídico do clube também contestou os ritos que a Justiça adotou para conceder a tutela de urgência. De acordo com a peça recursal, os administradores destituídos não tiveram a oportunidade de falar previamente. O Vasco argumenta que a juíza baseou o veredito em elementos que dependiam primeiro do contraditório, princípio que assegura o direito de ampla manifestação a todas as partes envolvidas antes de uma sanção.

A comissão jurídica do Vasco utiliza outro forte elemento no agravo. A saber, o próprio relatório que a interventora judicial Samantha Mendes Longo produziu e entregou ao tribunal junto à sua carta de renúncia ao cargo. Os advogados do clube apontam que o documento da gestora contradiz frontalmente os motivos da intervenção, uma vez que o texto reconhece formalmente a existência de uma estrutura de gestão regular e adequada no cotidiano da SAF.

Paralisia institucional e renúncias em série na Vasco SAF

O recurso atribui à própria intervenção a grave crise institucional que se instalou na companhia ao longo dos últimos dias. Para comprovar a tese de que a decisão tornou o ambiente insustentável, o documento lista nominalmente a onda de desligamentos que o cenário político atual motivou:

  • Conselho Fiscal da SAF: Renúncia coletiva dos membros Marco Schroeder, David Tavares Nunes e Carlos Antonio Rodrigues Jorge, formalizada no dia 31 de junho.

  • Vice-presidências do clube: Pedidos de desligamento de José Luiz Trinta (Vice-Presidente de Integração) e Luis Guedes (VP de Engenharia e Obras).

  • Intervenção: O pedido de afastamento da própria interventora nomeada, Samantha Mendes Longo.

Em resumo, a defesa enfatiza que essas saídas em bloco demonstram que a ordem judicial gerou o efeito oposto ao pretendido. Ou seja, resultaram em uma “paralisia estrutural da governança” em vez de fortalecer os mecanismos de fiscalização da empresa.

Próximos passos nos tribunais

Com o protocolo do agravo de instrumento, a expectativa agora gira em torno da análise do pedido de efeito suspensivo. Os desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro avaliarão se mantêm ou derrubam a intervenção provisoriamente.

Logo após essa etapa, o tribunal intimará a 777 Carioca para apresentar suas contrarrazões antes do julgamento definitivo do mérito pelo colegiado. Em paralelo, um novo magistrado passará a conduzir o processo principal na primeira instância, após a declaração de suspeição da juíza que assinou a ordem inicial.

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