Horas antes do duelo entre França x Marrocos, pelas quartas de final da Copa do Mundo, a ex-ministra marroquina Hakima El Haité saiu publicamente em defesa de Kylian Mbappé após os ataques racistas feitos pela senadora Céleste Amarilla. Os insultos ocorreram após a eliminação do Paraguai para seleção francesa nas oitavas do Mundial, no último sábado (4).
El Haité, atual Presidente de Honra da Internacional Liberal, classificou as declarações da parlamentar como incompatíveis com a dignidade humana. Segundo a marroquina, o episódio atinge princípios fundamentais, viola direitos humanos e precisa ser repudiado por todos que defendem valores humanitários.
“Quando acreditamos em valores humanos, não podemos ser senão contra as declarações desta senadora e não podemos senão apoiar este jogador”, declarou.
A ex-ministra também defendeu uma resposta institucional ao caso e afirmou que “qualquer partido que se respeite deveria tomar uma posição em relação ao caso”. El Haité sugeriu que grupos apoiem medidas punitivas e emitam notas de repúdio, bem como fez posteriormente pelo comitê da Internacional Liberal.
El Haité e a torcida por Marrocos
Prestes ver Marrocos enfrentar novamente a França em Copa do Mundo, El Haité negou que sua posição tenha relação com o fato de Mbappé defender a seleção francesa.
“Adoro a França, mas obviamente estarei torcendo por Marrocos”, afirmou.
Integrante do partido marroquino Movimento Popular, Hakima El Haité integra o conselho executivo e o comitê de relações internacionais da legenda. Ela também atua como consultora internacional, assessorando chefes de Estado e executivos de multinacionais em temas ligados ao clima.
Entre 2018 e 2024, presidiu a Internacional Liberal, tornando-se a primeira liderança não europeia a comandar a organização. Ela também atuou como vice-presidente da COP21, na França, em 2015, e participou das articulações do Acordo de Paris.
Ataques de Celeste Amarilla contra Mbappé
Os insultos da senadora paraguaia ocorreram horas após a eliminação do Paraguai para a França, no último sábado (4). Em seu perfil no X, Celeste Amarilla publicou mensagens com ofensas à aparência e à origem familiar de Mbappé, nascido em Paris.
Entre as declarações, afirmou que o atacante seria um “camaronês colonizado fazendo um grande esforço para parecer francês”. A parlamentar também sugeriu que jogadores paraguaios deveriam ter agredido o atacante após a partida e fez novas ofensas de cunho racista.
O camisa 10 francês também usou as redes sociais para responder às ofensas de Celeste, definindo-a como uma “mulher desprezível e indigna do cargo”. Kylian também disse que a senadora “não representa o Paraguai” e que sua “imprudência e racismo descarado” apagaram a jornada da seleção sul-americana na Copa.
A Federação Francesa de Futebol (FFF) apresentou uma denúncia formal às autoridades francesas, classificando as declarações da senadora como “aberrantes e inaceitáveis”. Além disso, a entidade defendeu a adoção de medidas judiciais. Uma investigação por injúria racial está sendo conduzida pela unidade especializada no combate ao ódio online em Paris.
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