Às vésperas da semifinal da Copa do Mundo entre França e Espanha, um artigo do ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy sobre a seleção francesa provocou uma crise política e desencadeou acusações de racismo dos dois lados da fronteira.
Rajoy, que governou a Espanha entre 2011 e 2018 pelo Partido Popular, analisou os Bleus em uma coluna publicada pelo jornal El Debate. No texto, o político descreve a seleção adversária como uma equipe “de altíssimo nível”, mas “sem franceses”.
A declaração levou o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, a afirmar que as palavras do ex-governante “envergonham” a Espanha. O chefe do Estado se manifestou através de seu perfil no X.
“Há quem ainda meça o pertencimento pelo sobrenome, local de nascimento ou cor da pele. Outros o medimos pelo vínculo com um país e pela vontade de contribuir para ele. Jogando futebol. Cuidando dos nossos idosos. Ou abrindo empresas. A Espanha pertence a quem a ama e trabalha por ela. Não a quem a envergonha com declarações xenófobas”, escreveu.
Na mesma publicação, Sánchez acrescentou: “França, nos vemos na semifinal. Que vença o melhor e que o racismo perca”.
Hay quien todavía mide la pertenencia por el apellido, el lugar de nacimiento o el color de piel.
Otros la medimos por el arraigo a un país y la voluntad de contribuir a él. Jugando al fútbol. Cuidando a nuestros mayores. O abriendo negocios.
España es de quien la ama y la…
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) July 12, 2026
Reação na França
Na França, integrantes do governo também reagiram com repúdio ao artigo. A ministra dos Territórios Ultramarinos, Naima Moutchou, afirmou: “Após cada vitória dos Bleus, ressurgem as mesmas obsessões e insultos racistas. Não se trata de ‘declarações infelizes’. É um ódio metódico e banalizado contra a França e o que ela representa”.
A ministra encarregada da pasta de Combate às Discriminações, Aurore Bergé, criticou os “repetidos deslizes racistas”, especialmente nesta Copa. Já o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, declarou que “a França não é um país étnico, não tem cor de pele nem religião”.
“É uma nação política reunida em torno dos valores republicanos. Ainda que isso desagrade à direita racista”, completou Faure.
O líder do Partido Comunista Francês, Fabien Roussel, classificou o episódio como um caso de “racismo repugnante”, enquanto o ministro do Interior, Laurent Núñez, disse à emissora BFMTV que, se as declarações foram feitas exatamente nesses termos, elas eram “absolutamente inaceitáveis”.
Por fim, a embaixada da França em Madri lembrou que “todos os jogadores da seleção francesa são franceses”. O consulado esclareceu que “dos 26 jogadores, 23 nasceram na França” e que “os três que nasceram no exterior também são franceses”.
Semifinal da Copa do Mundo
As seleções disputarão a primeira vaga na finalíssima da Copa do Mundo 2026, no dia 19 de julho. O duelo decisivo entre França e Espanha está marcado para esta terça-feira (14), às 16h (de Brasília).
A França venceu todos os seus jogos na Copa do Mundo e já deixou para trás seis seleções: Senegal, Iraque e Noruega na fase de grupos, Suécia (16 avos), Paraguai (oitavas) e Marrocos (quartas de final).
Do outro lado, a Espanha também se mantém invicta. Após empatar com Cabo Verde na estreia, a Fúria desbancou Arábia Saudita e Uruguai na fase de grupos, Áustria (16 avos), Portugal (oitavas) e Bélgica (quartas de final).
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