A discussão sobre identidade e pertencimento se tornou um dos focos da semifinal entre Espanha e França nesta Copa do Mundo. Isso porque o ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy passou a ser acusado de racismo após afirmar que os Bleus não têm jogadores franceses em seu elenco. Declaração que, aliás, também ganhou repúdio dentro da delegação da La Roja.
Às vésperas do duelo decisivo entre as seleções, Pau Cubarsí e Borja Iglesias responderam ao ex-primeiro-ministro e defenderam o caráter multicultural do adversário desta terça-feira (14). O zagueiro do Barcelona afirmou, em entrevista à RAC1, que não tinha visto a declaração, mas rejeitou o teor do comentário.
“Não vi a declaração, mas se eles jogam na seleção francesa, eles são franceses, não importa a cor da pele deles. Temos que respeitá-los como pessoas”, disse.
Borja Iglesias, atacante do Celta de Vigo, também condenou as palavras de Rajoy e destacou a multiculturalidade como uma das forças do futebol, citando, inclusive, a própria seleção espanhola. “Fico surpreso que ainda tenhamos que ouvir coisas como estas. Vejo a vida e a sociedade como uma coisa multicultural. Cada um de nós é de um lugar, de um jeito e essa é a riqueza que temos”, afirmou o jogador à DAZN.
Fala de Mariano Rajoy Brey sobre os franceses repercute na seleção espanhola – Foto: Instagram @marianorajoy
Na sequência, acrescentou: “Para mim, a França é tão rica em tantos aspectos justamente pela quantidade de pessoas de origens diferentes no país. Tenho pena de ouvir coisas assim. Talvez ele não tenha tido má intenção ao dizer isso, mas temos que ser cuidadosos. A nossa própria seleção é multicultural e esta é a riqueza do nosso país”.
O que disse Mariano Rajoy?
A polêmica começou após Rajoy publicar uma análise sobre o confronto entre França e Espanha para semifinal do Mundial. No texto, o ex-primeiro-ministro, que ocupou o cargo entre 2011 e 2018, elogiou o nível técnico dos franceses, mas pontuou: “Dito isso, (a França) não tem nenhum jogador francês. E está jogando muito bem. Será um adversário formidável”.
A declaração provocou reação imediata de políticos, da embaixada da França na Espanha e da Federação Francesa de Futebol. A imprensa também criticou o comentário, e jornais como ARA e Le Monde classificaram a fala como “racista”, enquanto a RMC a definiu como uma “gafe”.
Embaixada da França rebate análise
Em resposta, a embaixada francesa pontuou que “todos os jogadores da seleção francesa são franceses” e rebateu: “Dos 26 jogadores, 23 nasceram na França. Os 3 que nasceram no exterior também são franceses”.
Entre os atletas nascidos fora do território francês estão apenas Michael Olise, de Londres e filho de pai nigeriano e mãe franco-argelina; Marcus Thuram, filho do ex-jogador Lilian Thuram, nascido em Parma, na Itália; e Brice Samba, filho de congoleses e nascido em Kinshasa, na República Democrática do Congo.
França e Espanha se enfrentam nesta terça-feira (14), às 16h (de Brasília), no AT&T Stadium, em Arlington, nos Estados Unidos.
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