Lembra dele? Stankovic, o único jogador que defendeu três seleções em Copas

Lembra dele? Stankovic, o único jogador que defendeu três seleções em Copas
Lembra dele? Stankovic, o único jogador que defendeu três seleções em Copas -

Em tempos de Copa do Mundo com globalização recorde, a história de Dejan Stankovic tem um capítulo especial e que dificilmente será repetido. Além de gols e títulos no futebol italiano e europeu, o ex-meia também ostenta a marca de ser o único jogador a disputar o torneio por três seleções diferentes: Iugoslávia, Sérvia e Montenegro e Sérvia.

Na década de 1960, a Fifa proibiu que, mesmo com a eventual naturalização, os atletas disputassem partidas oficiais por duas nações. Até então, isso era uma prática comum e garantiu a migração de craques como Puskàs e Mazzola. Mesmo assim, questões geopolíticas trouxeram o tema à tona com a derrocada do comunismo.

Assim, Stankovic teve a carreira impactada pela dissolução da Iugoslávia, onde nasceu. Primeiro, defendeu a seleção original na Copa de 1998, com 20 anos de idade. Depois, Sérvia e Montenegro, em 2006. Por fim, a Sérvia se separou de Montenegro, e o ex-camisa 10 completou sua trajetória em 2010.

“Um recorde estranho”

Natural de Belgrado, que se manteve como capital, ele foi um dos principais jogadores de sua geração. Mesmo com o destaque em clubes como Lazio e Inter de Milão, onde conquistou a Liga dos Campeões em 2009-10, Stankovic só foi capaz de avançar ao mata-mata uma vez – e foi logo em sua estreia. Afinal, a Iugoslávia venceu Irã e Estados Unidos na fase de grupos e caiu para a Holanda, nas oitavas de final.

“Eu sou orgulhoso primeiramente de ter jogado três Copas do Mundo. É um recorde estranho, três Mundiais por três nomes de países diferentes. Mas eu sempre senti que cada uniforme era meu. Sempre respeitei o sentimento de jogar por cada seleção”, disse o ex-meia, em entrevista de 2018.

Aos 47 anos, Stankovic é treinador e já passou por Sampdoria-ITA, Ferencvaros-HUN e Spartak Moscou. Hoje, comanda o Estrelha Vermelha, clube que o formou como jogador na década de 1990 e o maior campeão sérvio/iugoslavo.

A divisão atual da Iugoslávia:

Sérvia – 3 participações em Copas
Montenegro – nenhuma Copa
Croácia – 7 Copas
Eslovênia – 2 Copas
Bósnia e Herzegovina – 2 Copas
Macedônia do Norte – nenhuma Copa
Kosovo – nenhuma Copa

Destas sete bandeiras, a única que não é conhecida pela ONU é Kosovo, que proclamou sua independência da Sérvia em 2008, após uma guerra civil. O motivo é o veto de Rússia e China e a forte oposição que ainda sofre de sua pátria-mãe. No entanto, a Fifa aceitou a filiação de Kosovo em 2016 e permite que a seleção dispute as Eliminatórias para a Copa desde então.

Os países dos balcãs, aliás, ainda tiveram mais um nome que detém uma marca incomum. O meia Robert Prosinečki disputou e marcou gol na Copa pela Iugoslávia em 1990 e pela Croácia (duas vezes), em 1998, quando chegou às semifinais. É o único, portanto, a ter balançado as redes por camisas distintas.

Polêmica com Puskas mudou a regra

A pressão para estabelecer uma regra neste assunto, na década de 1960, surgiu por conta da mudança de um dos maiores jogadores do mundo na época. Afinal, diferentemente dos outros casos, Ferenc Puskas não tinha qualquer relação familiar com a Espanha, pela qual jogou em 1962 depois de defender a Hungria, onde nasceu, nas Copas de 1954 e 1958.

A acusação era de que o atacante foi “contratado”, e isso abriu um precedente controverso no futebol. Dessa forma, a Fifa deu início à proibição de troca de seleções, caso o atleta já tivesse entrado em campo em alguma competição oficial organizada pela entidade defendendo sua nação de origem.

Em 2020, no entanto, a regra foi flexibilizada para atender o alto número de jogadores que emigraram com suas famílias. Agora, a entidade aceita a mudança de seleção após no máximo três jogos profissionais (incluindo amistosos), antes de completar 21 anos e há pelo menos três anos de distância da última partida.

Quem jogou Copas por mais de uma seleção:

Luis Monti: Argentina (1930) e Itália (1934)
Ferenc Puskás: Hungria (1954) e Espanha (1962)
José Santamaría: Uruguai (1954) e Espanha (1962)
Mazzola (mudou o nome para Altafini): Brasil (1958) e Itália (1962)
Robert Prosinečki: Iugoslávia (1990) e Croácia (1998)
Dejan Stanković: Iugoslávia (1998), Sérvia e Montenegro (2006) e Sérvia (2010)