Às vésperas da retomada do Brasileirão, o período de pausa virou um desafio para as comissões técnicas, que precisam equilibrar a recuperação física dos atletas com a necessidade de recolocá-los rapidamente em ritmo de competição. Afinal, mais de um mês sem partidas oficiais pode ser suficiente para um jogador voltar mais descansado, mas também mais suscetível a lesões.
Segundo o fisioterapeuta esportivo Eduardo Pimentel, especialista da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), o maior cuidado está justamente nessa transição entre os treinamentos e a intensidade das partidas.
LEIA MAIS: Em nova virada épica, Argentina vence a Inglaterra e está na final da Copa do Mundo
“Após um período prolongado sem competição, é comum observarmos um aumento do risco de lesões musculares, principalmente em isquiotibiais, adutores, panturrilhas e quadríceps. Isso acontece porque a intensidade e as exigências do jogo são muito superiores às do treinamento. A fisioterapia atua de forma preventiva por meio do monitoramento da carga, avaliações funcionais, testes físicos, programas individualizados de força, mobilidade e controle neuromuscular, além da recuperação adequada entre as sessões. O objetivo não é eliminar completamente o risco, mas reduzi-lo ao máximo e preparar o atleta para suportar as demandas da competição”, disse.
Em uma partida, o atleta é submetido a acelerações, mudanças bruscas de direção, sprints e disputas físicas que dificilmente são reproduzidos em treinamentos. Sem esse ritmo, o desgaste tende a aparecer mais cedo durante os 90 minutos, aumentando a sobrecarga muscular.
Brasileirão: retorno exige atenção além da parte física
Na avaliação do especialista, a readaptação também passa pelo aspecto mental. Ansiedade, pressão por resultados e a expectativa pelo retorno aos gramados podem interferir diretamente no desempenho. De forma indireta, isso pode elevar o risco de problemas físicos.
“Os fatores psicológicos influenciam diretamente o desempenho e podem aumentar o risco de lesão de forma indireta. Ansiedade e estresse alteram a percepção de fadiga, reduzem a qualidade do sono, prejudicam a recuperação e podem comprometer a coordenação motora e a tomada de decisão durante o jogo. A fisioterapia trabalha integrada com a preparação física, comissão técnica e psicologia do esporte, monitorando sinais de fadiga, ajustando cargas de treinamento e orientando estratégias de recuperação para minimizar esses impactos”, explicou Pimentel.
Mesmo durante o período sem jogos, os atletas costumam receber programas individuais para manter o condicionamento físico. Ainda assim, recuperar o ritmo competitivo é um processo gradual e varia de acordo com o histórico de cada jogador.
“Tentar apressar essa transição ou queimar etapas é, na maioria das vezes, o caminho mais rápido para o desgaste físico e para as lesões. Embora alguns atletas consigam apresentar bom desempenho logo no retorno, recuperar plenamente o ritmo competitivo costuma levar algumas semanas e varia conforme o histórico de treinamento, a condição física e o calendário de jogos. Normalmente, é necessária uma exposição progressiva às partidas para que o organismo volte a suportar, com segurança e eficiência, todas as exigências fisiológicas e biomecânicas do futebol de alto rendimento. Por isso, o controle da carga e o monitoramento individual continuam sendo fundamentais nesse período de retorno”, encerrou.
Siga nosso conteúdo nas redes sociais: Bluesky, Threads, Twitter, Instagram e Facebook.

