A Copa do Mundo vive um processo de mudanças e, pela primeira vez, teve 48 seleções em uma só edição. O resultado foi bem avaliado pela Fifa e já se discute um novo aumento para 2030, desta vez para 64 participantes. Mas e se a competição vencida pela Espanha no último domingo já tivesse esse número, quem mais teria participado?
O Jogada10 fez um exercício para levantar quais seriam esses países, com base nas somas de pontos das classificações das Eliminatórias de cada continente e nas repescagens mundiais. A referência para as 16 vagas foi a seguinte: seis europeus, dois da América do Sul, dois da Concacaf, três africanos e três asiáticos.
Seleções historicamente fortes, como a Itália, a Dinamarca e a Nigéria, estariam dentro. Tetracampeã, a Azzurra, por sinal, quebraria a sequência de três Copas de ausência. Por outro lado, o torneio teria tido mais seis estreantes: Kosovo, Venezuela, Suriname, Omã, Indonésia e Gabão.
Quem completaria os 64:
África: Nigéria, Camarões e Gabão
América do Sul: Bolívia e Venezuela
Ásia: Emirados, Omã e Indonésia
Concacaf: Jamaica e Suriname
Europa: Itália, Dinamarca, Polônia, Kosovo, Eslováquia e País de Gales
A Indonésia tem uma história curiosa na Copa. Afinal, quando era colôna da Holanda e usava o nome de Índias Orientais Holandesas, até disputou a competição em 1938. Levou de cinco da Hungria e voltou para casa. No entanto, como nação independente, vem chegando perto, mas ainda não se classificou.
Já o Kosovo é a seleção europeia mais recente a se filiar à Fifa. Antes, seu território pertencia à Sérvia e se separou em 2008 após uma guerra civil. A ONU e um grupo de nações que tem Rússia e China não reconhecem o Kosovo. Já os Estados Unidos, em lado oposto, dão sua chancela.
E a repescagem?
É difícil prever como seria a redistribuição, já que haveriam novos confrontos na repescagem. Como menção honrosa, portanto, as seguintes seleções estariam na briga por ter ficado muito perto das respectivas vagas em seus continentes: Burkina Faso (África), Peru (América do Sul), Palestina (Ásia), Honduras (Concacaf), Albânia e Irlanda (Europa) e Nova Caledônia (Oceania).
Interesses comerciais
Há o interesse em aumentar ainda mais o número de participantes por conta da parte comercial. Por essa razão, a Conmebol é uma das federações que faz lobby pela decisão da entidade máxima do futebol. Afinal, Argentina, Uruguai e Paraguai receberão alguns jogos da edição de 2030, em celebração ao centenário da Copa, cuja primeira sede foi o Uruguai.
Com mais seleções, obviamente haveriam mais partidas e os países sul-americanos receberiam mais tempo nas transmissões, mais investimentos e mais turismo. Os anfitriões oficiais do próximo Mundial são Espanha, Portugal e Marrocos. Em 2034 será a vez da Arábia Saudita.
Diretor de Desenvolvimento Global da Fifa, Arsene Wenger acredita que a mudança de 32 para 48 equipes foi positiva por uma questão de evolução do futebol.
“Achamos que era eticamente necessário dar chance a que mais seleções apresentassem seu futebol. Estou convencido de que foi a decisão correta e que foi um grande sucesso”, disse o ex-técnico do Arsenal. “A diferença entre equipes grandes e pequenas vem ficando cada vez menor e o conhecimento do jogo influenciou. Achavam antes da Copa que poderia ser um desastre para algumas seleções, não foi o que aconteceu. O futebol se desenvolve mundo afora, a informação viaja rapidamente. A qualidade desta Copa foi muita alta”, argumentou.
Críticas do meio do futebol
Nas redes sociais, os fãs se dividiram sobre o aumento. Em um primeiro momento, com as goleadas e as partidas sem apelo, surgiram mais críticas. À medida em que o Mundial ganhou em emoção e bateu recordes de gols desde 1970, a opinião mudou.
Técnico do Real Madrid, José Mourinho detonou a decisão de classificar seleções mais frágeis.
“Para ser honesto, depois de 10 minutos eu desliguei (a TV) em algumas partidas. Para mim, a Copa é o top de tudo. Eu sei que socialmente significa muito para vários países, o mundo está respirando futebol. Mas uma coisa é o lado social e outro é a pureza do esporte. Não é possivel ver 7 a 1, 5 a 1… isso não é a Copa”, criticou o português.
Já o ex-goleiro Fernando Prass, hoje comentarista do canal SporTV, disse durante o Mundial que mudou sua visão.
“Eu fui um dos que critiquei (a mudança), mas botei a cabeça no travesseiro e hoje vejo que estávamos tendo o comportamento de querer deixar fora seleções que merecem estar lá, evoluíram e lutaram para participar. Não teve muita discrepância (no nível). A Copa foi muito legal”.
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