Julio Casares voltou a falar publicamente pela primeira vez desde que deixou a presidência do São Paulo em meio ao processo de impeachment que culminou em sua renúncia. Investigado por supostos desvios financeiros, uso irregular do cartão corporativo e outras denúncias que também estão sob apuração do Ministério Público e da Polícia Civil, o ex-dirigente negou qualquer prática ilícita e afirmou que está sendo alvo de uma disputa política dentro do clube. Ao longo da entrevista com o UOL, Casares fez questão de defender sua gestão e garantiu que provará sua inocência.
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Logo no início da conversa, o ex-presidente adotou um tom firme ao rebater as acusações. “Eu não sou ladrão. Segundo, eu não faria isso de forma tão amadora”, afirmou. Casares ainda argumentou que nunca participou diretamente de qualquer movimentação financeira do clube e classificou como fantasiosa a hipótese de que pudesse retirar dinheiro das contas do São Paulo para benefício próprio. Segundo ele, toda a movimentação financeira sempre passou pelos departamentos responsáveis da administração.
Cartão corporativo e denúncias voltam ao centro do debate
Um dos principais pontos abordados foi o uso do cartão corporativo da presidência. Casares reconheceu que realizou despesas pessoais utilizando o cartão institucional, mas garantiu que todos os valores foram devolvidos ao clube com atualização financeira. O ex-dirigente explicou que, durante viagens e compromissos institucionais, utilizava o mesmo cartão para despesas particulares, mantendo um controle interno para posterior ressarcimento. Segundo ele, os gastos pessoais somaram pouco mais de R$ 400 mil ao longo de cinco anos de mandato.
“Depois que eu saí da covid, o meu cartão de crédito teve um problema e eu comecei a usar aquele com controle para que fizesse a reposição. (…) Todas essas despesas foram reembolsadas.”
Casares também comentou a investigação sobre pagamentos em dinheiro, especialmente premiações ao elenco, conhecidas como “bicho”. Nesse sentido, negou qualquer participação direta na retirada ou distribuição desses recursos e afirmou que a responsabilidade sempre pertenceu ao departamento financeiro do clube. Para o ex-presidente, sua função era apenas aprovar as premiações junto ao departamento de futebol, sem envolvimento operacional na movimentação dos valores.
Ex-presidente aponta “traição” e vê disputa pelo poder
Além disso, outro tema tratado durante a entrevista foi a denúncia envolvendo a suposta utilização irregular de camarotes em dias de shows no Morumbis. Casares afirmou que desconhecia qualquer exploração paralela desses espaços e explicou que o local estava ao dispor de compromissos institucionais, relacionamento com parceiros e recepção de atletas não relacionados para as partidas. Caso tivesse conhecimento de irregularidades, de acordo com ele, teria tomado providências de imediato.
Ao analisar todo o processo que levou à sua saída do comando do São Paulo, Casares afirmou acreditar que houve uma articulação política para enfraquecê-lo internamente. “Quem traiu sabe que traiu; e quem foi traído sabe que foi traído”, declarou. Na avaliação do ex-presidente, seu capital político despertou interesses ligados à sucessão presidencial, transformando as denúncias em instrumento de desgaste dentro do clube. Enquanto isso, ele segue preparando sua defesa para a audiência da Comissão de Ética, marcada para os próximos dias.
Caso a comissão entenda pela continuidade do processo disciplinar, o relatório se encaminha ao Conselho Deliberativo, que decidirá se Casares permanecerá como associado do São Paulo. Desse modo, haverá necessidade do voto favorável de dois terços dos conselheiros presentes. Ao mesmo tempo, as investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil continuam em andamento, sem previsão para conclusão.
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