O projeto da Fifa para abrir espaço a investidores privados nas suas principais competições ganhou novos detalhes nesta quinta-feira (30). De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Guardian, a entidade apresentou às 211 federações filiadas um documento em que detalha a criação de uma nova empresa responsável pela gestão comercial de torneios como a Copa do Mundo, a Copa do Mundo Feminina e o Mundial de Clubes. A expectativa da Fifa é levantar até 20 milhões de dólares (cerca de R$ 100 bilhões) com a venda de participações minoritárias.
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Entre as propostas, a que mais chamou atenção foi a expansão do calendário internacional. O plano prevê mais que dobrar o número de competições organizadas pela Fifa, passando de cerca de 200 para até 450 torneios por ano. O documento revelado pelo jornal também cita novas estratégias para aumentar as receitas, como a valorização dos direitos de transmissão, acordos com plataformas de streaming, reajustes no preço dos ingressos e outras iniciativas comerciais. Em contrapartida, o relatório praticamente não apresenta medidas voltadas ao desenvolvimento do futebol feminino.
Seleções da Europa decidem boicotar torneios da Fifa
A repercussão do projeto foi imediata. A Uefa anunciou que suas 55 federações aprovaram, de forma unânime, um boicote às competições organizadas pela Fifa caso a proposta siga adiante.
Na avaliação da entidade europeia, permitir que investidores privados adquiram participação em torneios como a Copa do Mundo representa um risco para a independência do futebol. A Uefa afirmou que a competição “não está à venda” e defendeu que o esporte deve permanecer sob controle das entidades que o administram, sem interferência de interesses comerciais externos.
Caso a Fifa mantenha o projeto, a decisão da Uefa poderá afetar inclusive a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil. Além disso, outras competições organizadas pela entidade também podem ser afetadas.
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