Crise por venda de ações pode derrubar Gianni Infantino da presidência da Fifa

Crise por venda de ações pode derrubar Gianni Infantino da presidência da Fifa
Crise por venda de ações pode derrubar Gianni Infantino da presidência da Fifa -

A continuidade de Gianni Infantino na presidência da Fifa está seriamente ameaçada após a eclosão da crise envolvendo o projeto de venda de ações das competições da entidade. De acordo com informações reveladas pela emissora inglesa Sky Sports, o plano de repassar o controle comercial dos torneios para investidores privados minou a confiança de dirigentes ao redor do mundo. O desgaste político gerou uma revolta aberta entre os membros associados, alimentando uma forte crença de que o atual mandatário não conseguirá sobreviver no cargo a esta última controvérsia.

O atual mandato de Infantino tem duração programada até 2027, ano em que ele já deveria enfrentar dificuldades inéditas para buscar uma nova reeleição. Contudo, a gravidade da contestação atual fez os bastidores do futebol discutirem a possibilidade de um fim de ciclo antecipado.

Embora as normas internas não apresentem um processo imediato e claro sobre como a insatisfação do colegiado pode resultar na destituição direta, interlocutores relembram o precedente de Joseph Blatter, antecessor de Infantino, que precisou antecipar sua saída e convocar novas eleições em 2016 devido à pressão do escândalo do “Fifagate”.

Rejeição em massa bloqueia governabilidade do mandatário

O principal fator que coloca em risco a permanência de Gianni Infantino é o tamanho da oposição que se formou contra a sua liderança nas últimas horas. As manifestações contrárias da Uefa, da Concacaf e da Confederação Asiática de Futebol (AFC) isolaram o presidente politicamente. Juntas, essas três entidades controlam 143 dos 211 membros filiados à Fifa, consolidando uma ampla maioria que rejeita a proposta de criação da subsidiária Fifa Forward Enterprise (FFE).

Com mais de 67% das associações nacionais posicionadas contra as diretrizes da presidência, a governabilidade de Gianni Infantino ficou severamente comprometida. A Uefa elevou a tensão ao ameaçar um boicote de suas 55 seleções à Copa do Mundo, o que esvaziaria o valor comercial e esportivo dos principais produtos da entidade. Sem o apoio político necessário para aprovar o fundo de investimentos na votação marcada para o dia 19 de setembro, o dirigente perde sustentação para liderar os próximos ciclos do futebol mundial.

Acúmulo de polêmicas desgasta imagem internacional da Fifa

Sem dúvida, a atual crise financeira e institucional se soma a uma série de decisões controversas que já vinham desgastando a imagem pública do presidente Infantino ao longo das últimas temporadas. O mandatário enfrentou duras críticas internas ao instituir o Prêmio da Paz da Fifa e entregá-lo ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A proximidade excessiva com o governo norte-americano gerou questionamentos éticos sobre a independência da federação.

Por fim, o estopim para a quebra de confiança de muitas federações ocorreu durante a última Copa do Mundo, quando Donald Trump interveio diretamente junto à Fifa para derrubar a suspensão automática do atacante Folarin Balogun. O jogador havia sido expulso contra a Bósnia e Herzegovina, mas acabou liberado para atuar nas oitavas de final contra a Bélgica. Dessa maneira, com um histórico de concessões políticas, somado ao “ultimato” secreto para vender os ativos históricos da Copa do Mundo, transformou a gestão de Gianni Infantino em um alvo unânime de contestação, deixando o seu futuro no comando da entidade sob total indefinição.

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