Especialista explica nova lesão de Paulinho e defende plano individual

Especialista explica nova lesão de Paulinho e defende plano individual
Especialista explica nova lesão de Paulinho e defende plano individual -

O atacante Paulinho voltou a preocupar o Palmeiras após sofrer uma nova lesão, desta vez sem relação com a cirurgia realizada anteriormente na tíbia, segundo informou o clube. Embora os dois problemas envolvam regiões diferentes do corpo, o caso reacende o debate sobre os desafios enfrentados por atletas que retornam após um longo período de recuperação.

De acordo com o fisioterapeuta esportivo Claudio Fusaro, especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), o fato de as lesões não estarem ligadas anatomicamente não significa que o corpo não passe por adaptações durante o retorno ao alto rendimento.

“Se analisarmos apenas a anatomia, a posição do departamento de saúde do clube está correta. A tíbia e o complexo adutor são estruturas independentes. Porém, no futebol de alto rendimento, o corpo funciona como um todo. Depois de um longo período afastado, é comum que ocorram adaptações na forma de se movimentar e alterações na chamada RFD, que é a Taxa de Desenvolvimento de Força”, explicou.

Segundo Fusaro, após uma cirurgia o organismo cria mecanismos naturais de proteção, mudando a forma como o atleta distribui as cargas durante ações como arrancadas, freadas e mudanças de direção. Isso pode aumentar a sobrecarga em outros grupos musculares, principalmente em movimentos de alta intensidade, como o chute.

“No futebol profissional, o retorno não depende apenas da cicatrização do ligamento. A equipe avalia fatores como dor, inchaço, mobilidade, estabilidade e testes específicos de desempenho. Hoje utilizamos o LSI, que é o Índice de Simetria do Membro. Esse cálculo verifica se a perna lesionada recuperou pelo menos entre 90% e 95% da capacidade da perna saudável. O objetivo é garantir que o atleta atinja metas de força e movimento antes de voltar a jogar, e não apenas esperar um determinado número de dias”, afirmou.

Histórico recente pode pesar

De forma geral, entorses leves costumam permitir retorno entre três e sete dias. Lesões moderadas normalmente exigem de duas a quatro semanas de recuperação. Já nos casos mais graves, com ruptura completa dos ligamentos, o afastamento pode variar entre seis e doze semanas, podendo haver necessidade de cirurgia caso existam outras lesões associadas.

Outro ponto que merece atenção é o histórico recente de lesões de Paulinho. Para o fisioterapeuta, estudos mostram que atletas que já passaram por problemas físicos importantes precisam de um acompanhamento ainda mais individualizado.

“A ciência do esporte mostra que o principal fator de risco para uma nova lesão é justamente o histórico de lesões anteriores. Isso não significa que houve erro no planejamento, mas que esse atleta passa a precisar de um controle ainda mais cuidadoso da carga de treinos e jogos, do número de arrancadas, frenagens e impactos, além de um trabalho contínuo de fortalecimento e recuperação”, destacou.

“A recuperação da força e do condicionamento segue protocolos bem definidos. O maior desafio é fazer o atleta voltar a se movimentar sem medo. Depois de lesões seguidas, o sistema nervoso pode criar mecanismos automáticos de proteção. Por isso, hoje a reabilitação combina o trabalho físico com o aspecto psicológico, para que o jogador volte a confiar plenamente no próprio corpo”, concluiu.