O Flamengo fez uma partida praticamente perfeita, oferecendo raras oportunidades para o Mirassol jogar, embora o placar de 5 a 1 pudesse ser ainda mais amplo, caso a arbitragem expulsasse Denílson no fim da primeira etapa, após falta em Carrascal. Facilitaria tudo. Era o último homem na linha de defesa, mas a regra do futebol, para o Rubro-Negro, é sempre exceção. Até Samuel Lino marcou gol. É de se imaginar a tragédia para a equipe de José Maria Campos Maia, que vale lembrar, vem bem na Libertadores..
Plata desperdiçou ótima chance com um minuto. Chutou rebote de Walter para fora. Oportunidade de graça para sair em vantagem e atrapalhar o adversário, fundamental numa partida dessas. E o jogo continuou. O Mirassol passou a marcar por pressão e tinha como objetivo prioritário atacar. E o Flamengo tentava impor o seu ritmo, ora cadenciado, ora veloz, para surpreender. Na realidade, o time paulista não tem muito a perder. E o visitante, bem ou mal, disputa o título.
Carrascal abre a porteira
A retaguarda local mostra certo receio do troca-troca do Rubro-Negro, com dificuldade para sair, e cedendo espaços, se confundindo com a marcação. Aos 22 minutos, numa destas vaciladas, a bola caiu nos pés de Plata, que rolou para Carrascal enfiar 1 a 0. Mas o Mirassol, jogando em casa, é uma equipe valente, e não vai desistir com menos de meia hora. Veio a parada para refresco – mais uma invenção dos tempos modernos – quando o Flamengo fazia um jogo sem mácula, levando o perigo com freqüência. Hora para Rafael Guanaes acertar o time. O onze amarelo, porém, continuou fora de rotação. Restava aos cariocas aproveitar, mas é fato que começa a demorar a fazê-lo.
O Mirassol comete uma infinidade de faltas, o que também atrapalhava. Luiz Araújo era o alvo principal. Nos acréscimos, Varela evita gol na linha, cabeçada de William Machado, em lance absolutamente fortuito. Isolado. Na sequência, Carrascal dribla Denílson, ficaria livre, mas o árbitro covardemente exibe apenas o amarelo. O cartão é amarelo. Mas a camisa do árbitro – a que está por baixo – é verde. Erro crasso, que pode definir a partida. Pode, não. Muda. Absurdo. Fim de primeiro tempo.
Flamengo no segundo tempo
No intervalo, o Mirassol trocou Walisson por Eduardo, pois parece que a ordem é atacar. Apesar da exibição modesta da equipe do interior, a parada é complicada, notadamente com vantagem mínima. Aos oito, mais um troca-troca do Flamengo e Carrascal entrega para Luiz Araújo bater de esquerda, sem chance para Walter: 2 a 0. Aos 10, Ayrton Lucas foi à linha de fundo e dá para Pedro: 3 a 0. Os paulistas começaram a acelerar o ritmo, muita correria, e Eduardo acertou o travessão na cabeçada. Não, o Mirassol não desistiu do duelo. Léo Jardim promoveu três mudanças, efetivamente cautelosas, Era necessário manter a pegada, tanto que em contra-ataque fatal, Carrascal, que hoje estava iluminado, rolou para Pedro enfiar 4 a 0.
Na prática, entretanto, ainda resta pelo menos meia de hora de bola rolando, e nada no futebol é impossível. O time pauista começou a arremessar de qualquer distância. É fato, porém, que Arrascaeta entrou em campo e permitiu a Samuel Lino, que estava no banco, meter 5 a 0. Aos 32, em equívoco raro na partida, João Vitor, de cabeça, em escanteio cobrado por Reinaldo, diminuiu: 5 a 1. E o Mirassol seguiu correndo, brigando, o que valorizou a goleada carioca.
Repetindo: vitória maior não seria exagero. Quarta, no entanto, o buraco é mais embaixo.
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