O zagueiro Ruan Tressoldi move uma ação trabalhista contra o São Paulo na qual cobra cerca de R$ 13,7 milhões e acusa o clube de negligência médica durante sua passagem pelo Morumbis. O jogador defende que a equipe o colocou em campo mesmo com dores e exames que indicavam uma lesão no joelho direito, além de apontar atrasos no tratamento e a falta de um seguro obrigatório para atletas. A informação é do “Uol”.
Segundo o processo, Ruan começou a sentir dores fortes durante o duelo contra o Palmeiras, em 11 de maio de 2025. O defensor afirma que comunicou o problema ao São Paulo, mas recebeu orientação para continuar em campo. Três dias depois, ele teria atuado contra o Libertad sem realizar exames prévios.
No dia 15 de maio, uma ressonância magnética apontou lesão no menisco, edema e tendinopatia no tendão patelar. Ainda assim, de acordo com Ruan, o clube o escalou contra o Náutico, no dia 20. O jogador também afirma que, após o surgimento da lesão, o São Paulo deixou de pagar ao Sassuolo, da Itália, valores referentes ao empréstimo.
O clube reconhece no processo que negociou com o Sassuolo para tentar manter o zagueiro, mas afirma que não chegou a um acordo com os italianos. Já Ruan sustenta que a disputa entre as equipes influenciou diretamente o tratamento e atrasou a cirurgia que considerava necessária.
Zagueiro questiona tratamento e seguro
Outro ponto central da ação envolve o tratamento com Plasma Rico em Plaquetas (PRP). Ruan afirma que recebeu o procedimento sem informações suficientes para decidir sobre a realização. Ele também argumenta que, até julho de 2026, o Conselho Federal de Medicina classificava o método como experimental e restringia seu uso a protocolos de pesquisa no Brasil.
Depois do procedimento, os médicos optaram pela cirurgia. O jogador, porém, diz que o procedimento sofreu sucessivos adiamentos em meio às discussões entre São Paulo e Sassuolo sobre quem assumiria os custos.
Ruan ainda afirma que pediu ao São Paulo para acionar o seguro obrigatório de atleta e custear a operação, mas recebeu a informação de que o clube não havia contratado a cobertura. O empréstimo terminou em 30 de junho de 2025, e o zagueiro deixou o clube sem passar pela cirurgia. O procedimento aconteceu em 8 de julho e, segundo a ação, ele precisou pagar em quatro parcelas no cartão de crédito.
O São Paulo contesta essa versão. No processo, o clube afirma que ofereceu ao jogador um plano de saúde com cobertura premium, incluindo atendimento no Hospital Albert Einstein.
O Tricolor também sustenta que manteve acompanhamento contínuo, com exames, fisioterapia e avaliações médicas especializadas. A defesa afirma ainda que não houve negligência, abandono ou agravamento do quadro provocado pelo clube.
Dívida com o São Paulo
Além das acusações relacionadas ao tratamento, Ruan afirma que acumulou três meses de direitos de imagem atrasados durante o período em que esteve no São Paulo. O clube pagou R$ 444 mil pela rescisão contratual, segundo a ação.
No total, o zagueiro cobra aproximadamente R$ 13,7 milhões. A conta inclui R$ 540 mil em direitos de imagem, R$ 420 mil em verbas rescisórias, R$ 26,4 mil em despesas médicas, R$ 4,5 milhões por danos morais, R$ 450 mil em multas, R$ 6 milhões pela ausência do seguro de atleta e R$ 1,8 milhão em honorários advocatícios, além de outros valores ainda a calcular.
O São Paulo afirma que pagou corretamente todas as verbas rescisórias previstas em lei e nega qualquer tipo de negligência no tratamento do defensor.
Aliás, o caso ainda ganha contexto diante da crise médica enfrentada pelo clube em 2025. Naquele ano, o São Paulo registrou 65 jogadores lesionados ao longo da temporada. Além do alto número de problemas físicos, o departamento médico enfrentou conflitos internos e divergências sobre métodos de trabalho.
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