Rio - O sambista Arlindo Cruz, de 60 anos, vai passar seu primeiro Natal em casa após ter sofrido um AVC hemorrágico, em março do ano passado. Segundo a família dele, a recuperação do cantor e compositor está cada vez melhor, com a retomada de alguns movimentos e expressões de alegria e emoção. Nascido e criado em Piedade, mas com Madureira no coração, esse símbolo da Zona Norte do Rio mora, atualmente, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste.
Companheira de Arlindo há 32 anos, Barbara da Cruz, a Babi, de 48 anos, resume este Natal como um "renascimento". "É muita felicidade tê-lo em casa, são passos pequenos, mas constantes. Início do ano, ele vai tirar a traqueostomia, a alimentação já é maior parte por via oral. Ele ouve tudo, nos entende e interage", contou.
Em 2017, na mesma data, o cantor ainda enfrentava uma internação em Unidade Semi-Intensiva. De volta ao lar desde julho, ele chora ao ouvir o hino do Flamengo, clube de coração, ri com filmes de comédia e já esboça palavras. "Ele fala um 'ai, ai'. Se não voltasse reclamando, não era você, né, pai?", indagou a matriarca ao marido, com quem conversa, abraça e beija constantemente.
A comemoração natalina, segundo Babi, sempre foi um marco na família, que recebia mais de 40 pessoas para trocar presentes. Este ano, a celebração será menor, junto aos parentes mais próximos, incluindo a neta, Maria Helena, de 5 anos, e os filhos, Arlindo Neto, de 27, e Flora, de 16, que está grávida de quatro meses. "Arlindo é fã de salada de bacalhau e rabanada. Ele começava a comer na hora em que estava fritando e terminava com ela gelada no dia seguinte".
O diário do retorno ao lar
Arlindo passa por fisioterapia diária, fonoaudióloga, além de medicinas alternativas, como acupuntura e musicoterapia. "O relaxa muito! Tem piano, pandeiro, banjo. E ele adora música francesa. Evitamos as músicas próprias dele, porque pode trazer melancolia", disse Babi, que também conta com uma equipe de dois enfermeiros e uma cuidadora, com quem, inclusive, tem a ajuda para escrever o livro O Diário do Arlindo. "Era apenas um registro para ele, posteriormente, lembrar, mas se tornou um livro, o diário da volta do Arlindo para casa", explicou a esposa do cantor. "Já era fã e fiquei mais ainda o conhecendo como pessoa. Somos tratados como família", comentou a cuidadora Vânia.
Homenagem em São Paulo
Se depender da agremiação X-9 Paulistana, a energia positiva para o ídolo do samba será ainda maior. A escola vai homenageá-lo no desfile de 2019, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, e Babi promete a presença de Arlindo. "Samba de arerê pra você voltar, Zona Norte é Madureira", diz a letra para o Carnaval.
À frente da turnê 60 Anos de Vida, 40 Anos de Samba, o primogênito e cantor Arlindo Neto faz jus à trajetória do pai. "Ele dormiu filho e acordou pai. Amadureceu muito, é um chefe de família responsável e incansável", destacou Babi. Já Flora revelou que aprendeu a amar e valorizar mais a família: "Todo dia, beijo e agarro meu pai, porque sem ele não dá para viver, não".

