Bandido morto em motel acusou PMs de corrupção e traiu milicianos

Criminoso confessou que fazia pagamentos semanais de R$ 70 mil para policiais do BOPE

Polícia ainda não sabe quem matou Léo do Aço
Polícia ainda não sabe quem matou Léo do Aço -
Leonardo Barbosa da Silva, o Léo do Aço, em menos de quatro anos delatou policiais do BOPE a quem pagava propina e traiu a maior facção do tráfico e o principal grupo de milicianos do Rio de Janeiro. Em agosto de 2019, Silva foi assassinado na porta do Motel Palazzo, em Bangu, na Zona Oeste. A Delegacia de Homicídios (DH) abriu inquérito para investigar a morte de Leonardo e ainda está longe de uma solução.

Até 2017, Léo do Aço era gerente do tráfico nas favelas do Rola e Antares, em Santa Cruz. Na ocasião, uma operação no Ministério Público na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo de Gericinó, revelou uma série de traições do criminoso.

O MP encontrou troca de mensagens entre Léo do Aço e um integrante de um grupo miliciano em um celular apreendido nas celas. Leonardo aceitou deixar o tráfico para trabalhar com a milicia após o grupo invadir as favelas do Rola e Antares.

Leonardo ficou menos de um ano na milicia, e a DH já sabe que antes de ser morto, Léo do Aço teria entregado fuzis ao tráfico da Vila Kennedy em troca de abrigo. No entanto, o criminoso passou a se esconder na Baixada Fluminense.

Em 2015, Léo do Aço foi preso pela Polícia Federal na Baixada com quatro fuzis. Após a prisão ele foi convocado pela defesa de policiais do BOPE para prestar depoimento em um processo em que agentes respondiam por corrupção. Mas ao contrário do que se esperava, Léo do Aço confessou que fazia pagamentos semanais de R$ 70 mil aos agentes em troca de informações sobre ações do batalhão.

"Ele (o PM) falava diariamente comigo. Eu que ordenei ele a dar bom dia e boa noite, pedir desculpa quando o comboio fosse para algum lugar que não fosse aquele local certo. Haveria o respeito de poder pedir desculpa. Tanto da nossa parte quanto da parte dele", disse o Leonardo. O depoimento dele acabou na condenação dos policiais com pena entre 29 a 80 anos de prisão.

Quando foi assassinado, Léo do Aço era considerado foragido após deixar a cadeira para trabalhar e não retornar. A polícia ainda não sabe quem era a mulher que deixava o motel com o foragido no momento do ataque. O casal havia saído da Vila Kennedy em direção ao motel e permaneceu apenas 20 minutos no local.