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Alunos e colegas lamentam morte de professores atropelados pelo jogador Marcinho

Docentes foram atropelados pelo jogador Marcinho no dia 30, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio

Professora Maria Cristina José Soares
Professora Maria Cristina José Soares -
Rio - Professores e alunos prestaram homenagens e lamentaram a morte do casal de professores do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) nas redes sociais. Maria Cristina José Soares, de 56 anos, morreu nesta terça-feira, após ser atropelada no dia 30 pelo jogador de futebol Marcinho, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste. O marido da professora, Alexandre Silva Lima, de 44 anos, morreu no local do acidente
Os dois estavam juntos há 12 anos. Maria Cristina Soares Martin era professora de Química dos Cursos de Ensino Médio e Técnico e atuava no departamento de Engenharia Ambiental; Alexandre trabalha no departamento de Engenharia Mecânica. 
A engenheira ambiental, Ysabella Abraham, lamentou a morte dos docentes nas redes sociais. "Perdemos dois professores queridíssimos do CEFET de forma tão cruel - atropelados por um jogador de futebol insensível a ponto de atropelar duas pessoas, não prestar socorro, e passar por cima delas novamente, para FUGIR! Que a justiça seja feita, para confortar um pouco mais os nossos corações! Pessoas incríveis, e do bem!
Cristina em particular faz parte da minha formação acadêmica. Coordenadora do meu curso de Engenharia Ambiental tinha o sonho de ver a nossa turma (a primeira do curso que ela idealizou) formada! 'Prof, vamos fazer evento de engenharia ambiental?' 'Aula inaugural? Palestras de engenharia ambiental?" Era desconfiada, tinha que ser do jeito dela, e no final topava de tudo! E fizemos muito, que parceria! Na nossa última conversa, há alguns dias atrás, acelerada que sou, perguntava sobre o futuro, e ela me dizia 'minha filha, tenha calma, tudo vai se ajeitar'.
Levaremos o nome deste curso para muitos lugares ainda! Gratidão por tudo! Fiquem em paz!". 
A professora e amiga de Maria Cristina, Zuleide Silveira, também lamentou a perda da amiga. "Começamos a nossa carreira, acho, no mesmo ano de 1979 e seguimos até 2012 quando aposentei-me no CEFET-RJ e iniciei nova carreira na UFF. Já não a via fazia um bom tempo. Na foto do seu perfil, minha colega está linda... Sinto muito! Em menos de uma semana, a instituição CEFET-RJ (estudantes, professos e pessoal técnico e de apoio) sofreu uma dupla perda. Perdemos dois professores dedicados e [email protected] Espero que se faça justiça!". 
Em nota, o centro de educação lamentou a morte do casal e decretou luto de um dia. "Diretor-geral pro tempore do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ), Antonio Maurício Castanheira das Neves, no uso de suas atribuições legais, decreta luto oficial na Instituição, por um dia, a partir de amanhã, dia 06 de janeiro, em razão da perda de dois professores muito estimados por toda a comunidade do Cefet/RJ, o professor Alexandre Silva de Lima e a professora Maria Cristina José Soares. O Cefet/RJ espera que a justiça se cumpra e que o responsável por essa tragédia seja punido em conformidade com as leis".
O Diretório Central dos Estudantes do CEFET-RJ também divulgou uma nota de pesar pela morte. "É com o profundo pesar que viemos aqui noticiar o falecimento da professora Maria Cristina José Soares, do Departamento de Engenharia Ambiental e coordenadora do curso. Maria Cristina deixa um legado para o CEFET/RJ sendo uma idealizadora do curso de Engenharia Ambiental, tendo o escrito o Plano Pedagógico de Curso (PPC) junto da professora Sinai (ex-professora de Química), também falecida. Esposa do professor Alexandre Silva de Lima, falecido no dia 30/12/2020, em virtude do atropelamento ocorrido na Barra da Tijuca, Maria Cristina estava internada por conta de fraturas nas ocorridas no atropelamento e foi diagnosticada com Covid-19. Não resistiu ao pós operatório, e faleceu na data de hoje, 05/01/2021".

"Estamos arrasados com a notícia, pois perdemos dois queridos professores que em muito somavam à nossa comunidade! Estamos acompanhando os desdobramentos da investigação, e fazemos votos para que esta chegue à verdade. Os professores deixam saudade em sua família e centenas de alunos do CEFET/RJ. Maria Cristina e Alexandre, presentes!", finalizaram. 

TESTEMUNHAS CONTRADIZEM VERSÃO DE JOGADOR
Testemunhas que presenciaram o atropelamento contam uma versão diferente da que o jogador Marcinho prestou à polícia. Uma delas afirmou que o atleta estava em alta velocidade e que vinha "costurando" no trânsito, que estava "moderado" e que permitia a chegada do casal no outro lado da rua em segurança.
Uma segunda testemunha disse que o jogador estava em alta velocidade e que, após o acidente, tentou evitar a polícia. Uma terceira pessoa falou que Marcinho, ao tentar fugir do local do atropelamento, passou de novo por cima de uma das vítimas e que optou por fugir ao invés de pedir ajuda para a polícia.
Em depoimento, Marcinho afirmou que "repentinamente, um casal saiu entre os veículos estacionados". E que a "puxava o homem" em direção à areia da praia. O atleta afirmou ainda que dirigia a 60 km por hora e que tentou "frear e desviar" das vítimas.