Moradores da Maré fazem protesto contra demolição de imóveis construídos pelo tráfico

Investigação da polícia diz que prédios foram erguidos para lavar dinheiro dos criminosos

Moradores realizam um protesto contra demolição de imóveis no Complexo da Maré; Comércios foram fechados na comunidade
Moradores realizam um protesto contra demolição de imóveis no Complexo da Maré; Comércios foram fechados na comunidade -
Moradores do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, realizaram uma manifestação na manhã desta sexta-feira (23) contra a quinta operação seguida de demolição de um condomínio de luxo construído por organizações criminosas.

O protesto reuniu centenas de pessoas, que carregaram faixas com pedidos de paz e informações de que os apartamentos demolidos são de propriedade da população local e não do tráfico de drogas.

Em meio ao protesto, que teve início por volta das 10h, os comerciantes da comunidade fecharam os estabelecimentos em forma de represália às ações policiais.
Manifestação havia sido convocada por traficantes

Segundo relatos nas redes sociais, a manifestação teria sido convocada na noite de quinta-feira (22) por traficantes, que também ordenaram o fechamento dos comércios.

No entanto, os moradores negam qualquer envolvimento com a organização criminosa que domina a região.

Escolas e clínicas afetadas

As operações na Maré também afetaram o funcionamento de escolas e clínicas da família ao longo da semana.

Duas escolas estaduais, o Ciep 326 César Pernetta e o Colégio Estadual Professor João Borges de Moraes, não abriram desde a segunda-feira (19).

As escolas municipais, que chegaram a ser afetadas na quarta-feira (21), funcionam normalmente desde quinta-feira (22).

Imóveis de luxo e investigações
No início das operações, os agentes localizaram imóveis de luxo usados por traficantes, incluindo duas coberturas avaliadas em R$ 5 milhões e um quadriplex com jacuzzi e closet. De acordo com investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o condomínio demolido era utilizado para lavar dinheiro do tráfico de drogas.

Os agentes apuraram ainda a participação de funcionários de órgãos representativos da comunidade no esquema.

Até quinta-feira (22), foram descaracterizados 31 prédios, com mais de 150 apartamentos.