Rio - Um intenso confronto no Complexo da Penha, na Zona Norte, causa pânico a moradores desde o início da manhã desta terça-feira (3). A troca de tiros ocorre durante mais uma etapa da Operação Torniquete, contra traficantes envolvidos em roubos de veículos e cargas. Ao todo, 900 policiais civis e militares atuam na região, com apoio de quatro aeronaves. Ao menos quatro pessoas ficaram feridas no tiroteio.
Em vídeos compartilhados nas redes sociais, é possível ouvir muitos disparos e ver uma coluna de fumaça que se formou na região, depois que criminosos atearam fogo em barricadas em diversos pontos da comunidade. As imagens ainda mostram helicópteros sobrevoando a comunidade, viaturas da PM e veículos blindados posicionados na Avenida Brás de Pina. Em outros registros, passageiros relatam que uma janela de um BRT foi atingida por um tiro, na altura de Vicente de Carvalho. Confira abaixo.
Em uma imagem, uma mulher aparece sentada no chão, atrás de uma kombi, enquanto um homem grita que ela foi baleada, na Rua do Valão, na Vila Cruzeiro. Agatha Alves de Souza foi socorrida para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que o quadro da mulher é considerado grave. Além dela, Tamires Silva Soares, Manuel Rodrigues de Sousa e Davyson Aquino da Silva foram levados feridos para a unidade, mas já receberam alta. Confira abaixo.
A reportagem esteve na Vila Cruzeiro, onde encontrou pouca movimentação de moradores e veículos pelas ruas, além do comércio de portas fechadas. No local, havia carros e lixo incendiados pelos bandidos, bem como retroescavadeiras realizando a remoção de barricadas. Homens também foram vistos removendo partes não danificadas de um veículo atingido pelo fogo.
Segundo o Rio Ônibus, por conta do tiroteio, sete linhas estão com desvio de itinerário, sendo elas a 313 (Penha (Grotão) x Praça Tiradentes); 621 (Penha x Saens Peña); 622 (Penha x Saens Peña); 623 (Penha x Saens Peña); 625 (Olaria x Saens Peña); 679 (Grotão x Méier); e 721 (Vila Cruzeiro x Cascadura). A MOBI Rio informou que devido à ação e a pedido do comando da PM,suspendeu temporariamente três serviços da TransCarioca:linhas 42 (Fundão x Manaceia), 43 (Fundão x Santa Eugênia) e 46 (Penha x Alvorada).
De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SMS) informou que, no Complexo da Penha, 16 unidades escolares municipais foram impactadas pela operação. Segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), até o momento, uma escola da rede estadual precisou ser fechada na região.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que a Clínica da Família Aloysio Augusto Novis, na Penha Circular, acionou o protocolo de acesso mais seguro e interrompeu o funcionamento. A CF Ana Maria Conceição dos Santos Correia, na Vila Kosmos, também suspendeu o início do funcionamento e avalia a possibilidade da abertura. Já a CF Zilda Arns, no Complexo do Alemão, mantém o atendimento à população, mas suspendeu as atividades externas realizadas no território, como as visitas domiciliares.
Nesta terça-feira, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), 13 batalhões de área da PM, a Subsecretaria de Inteligência da corporação, o Comando de Operações Especiais (COE), a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) e o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) cumprem mandados de prisão e busca e apreensão contra traficantes do Comando Vermelho responsáveis por ordenar, entre outros crimes, roubos de veículos e cargas.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, os crimes financiam a "caixinha" da facção criminosa, usada para a compra de armamento, munição e o pagamento de uma "mesada" aos parentes de integrantes presos e lideranças do grupo. Segundo as investigações, é também do Complexo da Penha de onde partem as ordens para as disputas entre rivais, em busca de expandir territórios.
Policiais civis do Pará e do Ceará também atuam na operação, já que as investigações revelaram a forte migração de lideranças criminosas desses estados para o Rio de Janeiro, com a maioria delas escondida no Complexo da Penha, que se tornou uma base operacional do Comando Vermelho. Até o momento, não há registro de prisões ou apreensões.
A ação ainda conta com o apoio de unidades do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE); Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC); Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB); Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI); Subsecretaria de Inteligência (SSINTE); Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
*Colaborou Reginaldo Pimenta