Como é o Pico Paraná, onde jovem ficou desaparecido após se perder em trilha

O Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do País com 1.887 metros, onde um jovem de 19 anos se perdeu na trilha e passou quatro dias desaparecido, está localizado na Serra do Mar paranaense e é bastante visitado por praticantes de montanhismo e trilheiros.

Em 2024, 16,8 mil pessoas passaram pelo Parque Estadual Pico Paraná, localizado entre Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, por onde se dá o acesso, e Antonina, no litoral.

O parque conta com diversos outros picos de mais de 1,6 mil metros de altitude, com destaque para Caratuva (1,852 m), Ibitirati (1,846 m), Itapiroca (1,799 m), Tucum (1,739 m) e Camapuã (1,699 m), além de outras montanhas menores. Os picos ficam em uma área conhecida como Serra Ibitiraquire, que em tupi quer dizer "Serra Verde".

De acordo com a administração do parque, a região é coberta pela Floresta Atlântica. No local, quanto maior a altitude, menor o porte das árvores. Com isso, os cumes são, em geral, cobertos por vegetação baixa. Essa combinação com o relevo proporciona paisagens impressionantes.

A extensão da trilha do Pico Paraná, considerando a ida e a volta, é de 15,2 quilômetros, com desnível de 1.349 metros. O tempo de caminhada é de cerca de 13 horas para um adulto não sedentário. A trilha exige muito esforço físico e tem alto risco para acidentes graves.

"Pelo menos uma vez por mês tem alguém perdido na área do Pico Paraná ou em outras regiões da Serra do Mar. Uma pessoa perdida sem experiência tem um grande risco de ter um final trágico", afirmou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Paraná, coronel Antônio Hiller.

A administração do parque orienta que a trilha do Pico Paraná e outros de alto risco sejam feitas por pessoas com bom preparo físico e recomenda que se tenha alguma experiência em montanhismo. Para iniciantes, a orientação é começar pelas trilhas mais curtas e, sempre que possível, ir com alguém que conheça a trilha.

O Pico Paraná é conhecido por temperaturas baixas durante a noite e elevadas durante o dia, com risco de insolação. Tempestades ou chuvas repentinas também costumam reduzir a visibilidade. Na base das montanhas existe um posto do Instituto Água e Terra (IAT), órgão ambiental do Paraná, que exige o preenchimento de um cadastro obrigatório para visitantes.

Jovem encontrou ajuda em fazenda

O jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, havia desaparecido na manhã de quinta-feira, 1º, quando descia o Pico Paraná. Ele foi abandonado por uma amiga que o acompanhava na trilha. O rapaz se perdeu e só conseguiu encontrar ajuda na manhã desta segunda-feira, 5, em uma fazenda em Antonina, no litoral do Paraná.

Segundo os bombeiros, ele percorreu mais de 20 km em áreas de mata fechada e relevo íngreme. "Estou cheio de roxos no corpo e com várias escoriações. Se você vir meu estado, não acredita", disse em vídeo publicado por sua irmã no Instagram.

Em nota, a Secretaria de Saúde do Paraná afirmou que o rapaz recebeu medicação e reidratação endovenosa no Hospital Municipal de Antonina, onde passará por exames e ficará em observação. "[Ele] está lúcido, apresenta sinais de desidratação leve, hematomas em membros inferiores e assaduras na região inguinal", informou a secretaria.

O secretário de Estado da Segurança Pública do Paraná, Hudson Texeira, afirmou que Thomaz será ouvido posteriormente pela Polícia Civil do Paraná para esclarecer como se separou do grupo durante a trilha.