O ano de 2025 foi um dos três mais quentes dos últimos 176 anos, segundo divulgou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à ONU, na quarta-feira, 14.
A análise da OMM consolida os registros de oito bases de dados: todas elas apontam os últimos três anos (2023-2025) como os mais quentes já registrados, sendo 2025 o segundo mais quente em dois desses registros e o terceiro ano mais quente nos outros seis.
Outro estudo divulgado nesta quarta, realizado pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, e pela Berkeley Earth, uma organização de pesquisa com sede na Califórnia (EUA), mostra que não há previsão de alívio em 2026.
Tendência de longo prazo
Os dados da Organização Meteorológica Mundial também revelam uma tendência de longo prazo, com recordes sucessivos nos últimos 11 anos (desde 2015), que não arrefeceu nem pelo esfriamento temporário promovido pelo La Niña.
Em 2025, a temperatura média global da superfície esteve 1,44 °C (com uma margem de incerteza aproximada de 0,13 °C) acima da média de 1850-1900, de acordo com a OMM. Já a média dos últimos três anos é 1,48 °C acima do nível pré-industrial.
"O ano de 2025 começou e terminou com o resfriamento do La Niña, e ainda assim foi um dos anos mais quentes já registrados globalmente devido ao acúmulo de gases de efeito estufa que retêm calor em nossa atmosfera", disse Celeste Saulo, Secretária-Geral da OMM.
Ela lembra que as altas temperaturas terrestres e oceânicas impulsionaram no ano passado a ocorrência de eventos climáticos extremos como ondas de calor, chuvas intensas e ciclones, enfatizando a necessidade de Sistemas de Alerta Precoce.
Há uma década, mais de 190 países assinaram o Acordo de Paris e concordaram em adotar medidas para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C. A era industrial iniciou a queima de carvão, petróleo e gás em larga escala, liberando gases de efeito estufa responsáveis pela mudança climática.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, declarou no fim do ano passado que ultrapassar o limite de 1,5 °C de aquecimento nos próximos anos se tornou inevitável.
Recorde de temperatura oceânica
Cerca de 90% do excesso de calor do aquecimento global é armazenado pelos oceanos, o que faz deles sensores importantes da mudança do clima.
Um estudo publicado em 2026 por pesquisadores de vários países constatou que que a temperatura média global da superfície do mar (SST, na sigla em inglês) em 2025 foi 0,49°C acima do patamar de 1981-2010, sendo o terceiro ano mais quente já registrado.
Isso reflete o acúmulo de longo prazo de calor no sistema climático.
Cerca de 33% da área oceânica global ficou entre as três condições mais quentes na história (1958-2025), e cerca de 57% ficou entre as cinco mais quentes, incluindo o Atlântico Tropical Sul, que banha a costa brasileira, o mar Mediterrâneo e o oceano Índico Norte.

