Pra Cima, Ciça!

Se eu for morrer de amor, que seja no samba

Sou Viradouro, onde a arte o consagrou

Não esperamos a saudade pra cantar

Do mestre dos mestres, herdei o tambor

(Se eu for morrer de amor) se for morrer de amor, que seja no samba

Sou Viradouro, onde a arte o consagrou

Não esperamos a saudade pra cantar

Do mestre dos mestres, herdei o tambor

(Eu vi, eu vi) eu vi a vida pulsar como fosse canção

Milhões de compassos pra eternizar

Em cada batida do meu coração (do meu coração)

O som que reflete o seu batucar

(Foi lá) lá, onde o samba fez berço, do alto do morro

Um menino orgulha Ismael, bicho novo

(Forjado nas garras) forjado nas garras do velho leão

(Contam, contam) contam no largo do Estácio

O destino em seu passo (o destino em seu passo)

Que fez, pouco a pouco, uma chama acender

Traz surdo, tarol e repique pro mestre reger

Quando o apito ressoa, parece magia

Num trem caipira, no olhar da baiana

Medalha de ouro, suingue perfeito

Que marca no peito da escola de samba

Quando o apito ressoa, parece magia (parece magia)

Num trem caipira (num trem caipira), no olhar da baiana (no olhar da baiana)

Medalha de ouro, suingue perfeito

Que marca no peito da escola de samba

Se a vida é um enredo, desfilou outros amores

Maestro fez do couro sinfonia

Na ousadia dos seus tambores

(Alô, meu mestre Ciça!)

Peça perfeita pra me completar

Feiticeiro das evocações

Atabaque mandou te chamar

Pra macumba jogar poeira

No alto, vai resistir a caixa de Moacyr

Legado do mestre Caveira

(Ó, sou eu, sou eu) sou eu mais um batuqueiro a pulsar por você (a pulsar por você)

Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender

(E hoje, e hoje) e, hoje, aos teus pés

Somos todos um nessa avenida

(Num furacão) num furacão que nunca vai ter fim

Nossa história não encontra despedida