Mãe e filha, grávidas, perdem tudo pela 2ª vez em MG: 'Achei que ia morrer'

Grávidas de 8 meses, com menos de duas semanas de diferença, mãe e filha perderam tudo, pela segunda vez, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Tainara Tomé Correia, de 32 anos, e Alice Madalena, de 14, ficaram desabrigadas a poucas semanas do nascimento dos filhos após o forte temporal que atingiu a região.

A casa em que Tainara morava com os quatro filhos, incluindo Alice, foi soterrada no início da semana. Moradoras do bairro Três Moinhos, elas precisaram abandonar a casa.

"Já estávamos indo dormir quando meu ex-cunhado veio gritando. Uma árvore partiu ao meio. Fomos para a casa da vizinha, mas ficamos ilhadas. Achei que ia morrer todo mundo. Foi a pior coisa das nossas vidas", relembra Tainara, que espera o quinto filho.

A casa com as roupas dos bebês, móveis e objetos pessoais, arrecadados por doações, ficou sob a lama. A ansiedade pelas novas vidas prestes a nascer deu lugar à apreensão, incerteza e necessidade de reconstrução, mais uma vez, das próprias vidas.

"Não temos para onde ir. Perdemos nossa casa. A gente já tinha montado o guarda-roupa, lavado as roupinhas dos bebês", conta.

E não foi a primeira vez que a necessidade de reconstrução de toda uma vida se impôs. Tainara e Alice passaram por outro deslizamento de terra em 2020.

"Meu maior sofrimento foi ver a minha filha grávida gritando por socorro. Estou tentando ser firme", relembra Tainara.

As duas, mãe e filha, não têm mais relação com os pais das crianças que estão prestes a nascer. Tainara precisou parar com as faxinas e, agora, pensa "dia após dia": "Vamos nos levantar, mais uma vez".

Alice Madalena, a mãe e os irmãos estão abrigadas na Escola Municipal Raymundo Hargreaves. Elas receberam atendimento médico e algumas roupas para as crianças. "Toda vez que escuto um barulho mais forte meu coração dispara. Foi um trauma muito grande", conta.

As fortes chuvas que atingiram as cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, entre a noite de segunda-feira, 23, e o início da tarde de terça-feira, 24, deixaram ao menos 47 mortos, de acordo com a última atualização do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, divulgada nesta quarta-feira, 25.

Juiz de Fora registrou o maior número de óbitos, com 41 vítimas fatais. Em Ubá, o Corpo de Bombeiros informou, na terça-feira, que sete pessoas tinham morrido. No entanto, a corporação esclareceu que uma das mortes não teve relação direta com as chuvas e, por isso, o número de vítimas fatais no município foi ajustado para seis.

Fevereiro mais chuvoso

Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com 589 milímetros acumulados até o momento - mais de três vezes o volume esperado para o mês, de 170 milímetros.

Conforme mostrou o Estadão, Juiz de Fora tem a nona maior população do Brasil vivendo em áreas de risco. Dos 540 mil habitantes do município, cerca de 130 mil pessoas estão suscetíveis a deslizamentos, inundações e enxurradas, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência.