PM é detido em operação que prendeu bicheiro Adilsinho no Rio de Janeiro

Diego D'arribada Rebello de Lima estava lotado em uma Unidade de Polícia Pacificadora

Movimentação na sede da Policia Federal no centro do Rio de Janeiro , durante a chegada do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho que foi preso na manhã desta quinta (26) em Cabo Frio. Foto: Érica Martin/Agência O Dia
Movimentação na sede da Policia Federal no centro do Rio de Janeiro , durante a chegada do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho que foi preso na manhã desta quinta (26) em Cabo Frio. Foto: Érica Martin/Agência O Dia -

A operação policial que prendeu o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, na manhã desta quinta-feira, 26, no Rio de Janeiro, terminou também com a detenção do policial militar da ativa Diego D'arribada Rebello de Lima, que estava lotado em uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Segundo as investigações, o PM fazia a segurança pessoal do contraventor.

Até a publicação deste texto, a reportagem tentou contato com a defesa de Diego Lima, mas sem sucesso. O espaço segue aberto.

Assim como Adilsinho, Lima também estava na mansão em Cabo Frio, na região dos Lagos do Rio, onde ocorreram as prisões. A operação foi realizada de forma conjunta entre a Polícia Federal, a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro.

Em nota, a Polícia Militar do Rio confirmou que um agente da corporação foi preso em Cabo Frio e destacou que a Corregedoria-Geral da PM "acompanha o caso" e que vai instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

'Proteção'

Apontado como mandante de homicídios, incluindo envolvimento no assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, em fevereiro de 2024, no centro do Rio, Adilsinho estava foragido da Justiça Federal e também é procurado pela Justiça Estadual. Ele é apontado pela Polícia do Rio de Janeiro como integrante da cúpula do jogo do bicho e como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do Estado.

Fábio Galvão, superintendente regional da Polícia Federal, destacou a dificuldade em prender Adilsinho em razão da "proteção" que o contraventor receberia - segundo ele, foram três tentativas mal-sucedidas até a captura do bicheiro.

"É um trabalho árduo, muito difícil. Terceira tentativa de prisão, que é muito dificultada pela proteção, sobretudo de policiais, de que goza principalmente a máfia do jogo do bicho", disse Galvão em vídeo gravado ao lado do secretário de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi.

O 'mais sanguinário'

Galvão ainda classificou Adilsinho como o "mais sanguinário dos 'capos' do jogo do bicho" e responsável por "dezenas de homicídios". "Então foi um presente para a sociedade fluminense a prisão, um baque para a máfia do jogo do bicho", acrescentou o superintendente.

O secretário Curi destacou o trabalho da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), uma das equipes responsáveis por capturar o contraventor, e informou que, por força da Polícia Civil, Adilsinho já tinha três mandados de prisão por homicídio de desafetos, rivais nos negócios e também um policial.

"Dentre as dezenas de homicídio pelo qual ele é investigado, um que se destacou muito é a morte do advogado em fevereiro de 2024, onde esse advogado foi assassinado, em plena luz do dia, em frente à Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB, praticamente ao lado do Ministério Público e da Defensoria Pública. Uma ação ousada da quadrilha desse criminoso", disse Curi.

Adilsinho foi encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro para os procedimentos legais antes de ser transferido para o sistema prisional do Estado. O PM Diego Lima ainda está sob acareação na delegacia.