Saneamento avança como motor de transformação social, ambiental e econômica no Rio

Evento para celebrar o Dia Mundial da Água reúne especialistas, gestores, educadores e jornalistas para debater desafios do setor e exaltar conquistas

Anselmo Leal, Presidente da Águas do Rio, no Seminário Caminho das Águas
Anselmo Leal, Presidente da Águas do Rio, no Seminário Caminho das Águas -
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O acesso à água tratada e à coleta de esgoto vai muito além da infraestrutura: é ponto de partida para avanços em saúde, educação e desenvolvimento econômico. Essa perspectiva guiou o Seminário Caminho das Águas, no Museu do Amanhã, na Zona Portuária do Rio, que marcou o Dia Mundial da Água e reuniu especialistas em torno do desafio de acelerar mudanças concretas a partir do saneamento.
Iniciativas que formam uma nova cultura de cuidado com o meio ambiente foram destaque no evento. É o caso do programa Esse Rio é Meu, da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Planetapontocom. O projeto leva educação ambiental para escolas públicas de forma prática: alunos passam a “adotar” o rio do bairro e, com apoio dos professores, propõem ações de recuperação e preservação, aprendendo sobre o meio ambiente e desenvolvendo senso de dono.
Com apoio da Águas do Rio, empresa do grupo Aegea, a iniciativa chega a mais escolas, com presença crescente na Baixada Fluminense. Este mês, Esse Rio é Meu está sendo lançado nos municípios de São João de Meriti, Japeri e Queimados.
“Já empoderamos mais de 640 mil estudantes, incentivando-os a monitorar rios, a criar projetos de preservação e a transformar o local onde vivem. Assim eles passam a ter a sensação de que aquele patrimônio hídrico pertence à toda comunidade, o que amplifica sua capacidade de mobilização”, destacou Silvana Gontijo, presidente da Planetapontocom.
Palco do Seminário Caminho das Águas, no Museu do Amanhã - Divulgação/Águas do Rio
A relevância de iniciativas como essa se torna ainda mais evidente diante da realidade brasileira. Segundo o Instituto Trata Brasil, 33 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável e 90 milhões vivem sem coleta de esgoto, um cenário que pressiona não apenas o meio ambiente mas o sistema de saúde, além de comprometer o aprendizado e limitar o desenvolvimento do país.
Nesse contexto, o avanço do saneamento passa a redesenhar territórios. No estado do Rio, a atuação da Águas do Rio, presente em parte da capital e em outros 26 municípios, mostra como investimento e gestão eficiente aceleram resultados. Em pouco mais de quatro anos, já foram aplicados R$ 5,5 bilhões, com efeitos que começam a se consolidar.
Esse avanço fica ainda mais claro nas áreas mais vulneráveis. Na Mangueira e na Barreira do Vasco, na Zona Norte, por exemplo, a ampliação dos serviços já traz resultados diretos na qualidade de vida. A redução de doenças de veiculação hídrica chegou a 61,5% e 41,1%, respectivamente, segundo o DataSUS.
“Quando falamos de um número menor de internações, podemos falar em uma ‘economia invisível’, ou seja, recursos que deixam de ser gastos e permanecem nos cofres públicos. Isso permite direcionar esse dinheiro para outras políticas e criar um ciclo de desenvolvimento e prosperidade compartilhada”, explicou Anselmo Leal, presidente da Águas do Rio.
Moradora da Barreira do Vasco lava louça: doenças de veiculação hídrica na região caíram 41,1% - Divulgação/Águas do Rio
Ainda segundo ele, para que esse avanço chegue a quem mais precisa, é adotada uma combinação de investimento com inclusão. 
“Por meio do subsídio cruzado, modelo em que regiões com maior capacidade de pagamento ajudam a financiar o serviço em áreas de menor renda, quase 1 milhão de pessoas passaram a ter acesso regular à água e ao esgoto no Rio, saindo da informalidade”, afirmou Anselmo.
Mais crianças nas escolas
A Mangueira foi uma das áreas beneficiadas com redução de 61,5% de doenças de veiculação hídrica - Divulgação/Águas do Rio
Na educação, o reflexo do trabalho de saneamento na Mangueira e na Barreira do Vasco aparece na queda das faltas na escola, com redução de 45% e 28%, respectivamente. Para Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea, o saneamento exerce um papel estruturante na qualidade de vida e no desenvolvimento social.
“O saneamento é fundamental para a criança ter o desenvolvimento escolar adequado, poder disputar uma vaga em universidade e ter acesso a um bom emprego. É uma cadeia de soluções. Isso engloba toda a dignidade da família”.
Essa mesma lógica está por trás de grandes obras de água e esgoto, como as que avançam no conjunto de favelas da Maré. Ali, cerca de 200 mil pessoas terão água regular, conta na Tarifa Social com desconto, e esgoto coletado e tratado até o fim de 2027. Além de beneficiar a população, o saneamento terá impacto positivo no meio ambiente, com 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês sendo destinados para tratamento, ajudando a proteger a Baía de Guanabara.
Equipes da Águas do Rio na construção de um tronco coletor na Vila dos Pinheiros, na Maré - Divulgação/Águas do Rio
Para Margareth Dalcomo, médica pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, o saneamento funciona como uma espécie de “vacina”, com efeitos imediatos e mensuráveis. “Visitei recentemente a Baixa do Sapateiro, na Maré, e vi a água limpa saindo da torneira. Onde o saneamento chega, o número de internações de crianças por doenças diarreicas cai a zero”, afirmou, durante a agenda de eventos organizados pela Planetapontocom.
Saneamento fortalece a economia
Aliás, a recuperação da Baía de Guanabara, que deixou de receber cerca de 130 milhões de litros de dejetos por dia após iniciativas da Águas do Rio, também impulsiona a economia, com praias mais limpas que atraem turistas, geram renda e valorizam imóveis. Inserida no cotidiano de diferentes cidades da região, a Baía também evidencia ganhos que vão além do meio ambiente e alcançam a saúde da população e a preservação dos rios, resultado direto de uma transformação que começa na infraestrutura e chega ao dia a dia.
 
Praia do Flamengo - Divulgação / Águas do Rio
A Mangueira foi uma das áreas beneficiadas com redução de 61,5% de doenças de veiculação hídrica
A Mangueira foi uma das áreas beneficiadas com redução de 61,5% de doenças de veiculação hídrica Divulgação/Águas do Rio
Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea, também falou no seminário
Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea, também falou no seminário Divulgação/Águas do Rio/Dudu Júnior
Equipes da Águas do Rio na construção de um tronco coletor na Vila dos Pinheiros, na Maré
Equipes da Águas do Rio na construção de um tronco coletor na Vila dos Pinheiros, na Maré Divulgação/Águas do Rio
Moradora da Barreira do Vasco lava louça: doenças de veiculação hídrica na região caíram 41,1%
Moradora da Barreira do Vasco lava louça: doenças de veiculação hídrica na região caíram 41,1% Divulgação/Águas do Rio
Obras na Maré: estimativa de cerca de 200 mil pessoas com água regular até o fim de 2027
Obras na Maré: estimativa de cerca de 200 mil pessoas com água regular até o fim de 2027 Divulgação/Águas do Rio
Palco do Seminário Caminho das Águas, no Museu do Amanhã
Palco do Seminário Caminho das Águas, no Museu do Amanhã Divulgação/Águas do Rio
Praia do Flamengo
Praia do Flamengo Divulgação / Águas do Rio

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